quinta-feira, abril 18, 2024

Carlos Antunes


Há uns anos, escrevi por aqui mais ou menos isto:

"Guardo (...) um almoço magnífico com o Carlos Antunes, organizado pelo António Dias, também com o José Manuel Correia Pinto, no restaurante do Teatro Aberto, numa data do início do século que não consigo precisar. Foram quase três horas memoráveis (o restaurante queria fechar e nós continuávamos vidrados na conversa), com o Carlos, naquele seu jeito suave e envolvente, a contar-nos os seus tempos da clandestinidade, de Bucareste a Paris, de Argel a Moscovo, com histórias passadas em reuniões com Álvaro Cunhal, em países do Leste europeu, quando ainda andava nas águas do PCP. Fiquei com pena de não ter ali um gravador, porque só aquilo tinha dado um livro muito interessante. Depois disso, várias vezes o estimulei a um exercício desse género, com o qual a história da oposição à ditadura e das dissidência do PCP muito ganhariam. Não sei se o fez."

Constato agora, com agrado: fez. Acaba de sair o livro "Carlos Antunes - Memórias de um revolucionário", fruto de uma conversa gravada com Isabel Lindim.

O meu amigo Carlos Antunes morreu, com o vírus, em janeiro de 2021. Sinto falta da sua voz, nas noites e nos jantares do Procópio. A nossa última conversa foi ao telefone. Na sequência de uma ida minha a Argel, escrevi por aqui algumas notas sobre esse local de exílio dos anti-fascistas. O Carlos, com amizade, veio corrigir-me algumas imprecisões. E acrescentou: "Temos de almoçar!" Nunca mais almoçámos.

4 comentários:

Anónimo disse...

Gostei bastante de ler este seu relato.
Abraço,
a) P.Rufino

Tony disse...

Agradável Post. Certamente, comprarei o livro. As histórias, por certo, abarcarão o PCP e o PRP, com a sua companheira Isabel do Carmo. Nunca o conheci, pessoalmente, embora tivesse, amigos comuns. Conheci e convivi, bastante, foi com o António Dias, e outros amigos comuns: ainda dos tempos do MRPP, e já, noutros tempos, igualmente na altura, em que o António Dias, Já havia "resignado" e eu a tentar reconverter outro que ainda o era, mas estava, com grandes ódios ao António e a hesitar a não lhe querer falar. Isto, na mesma mesa, à volta de um belo Ciclóstomo. Ambos já não estão entre nós. Paz às suas almas. O António Dias já fez 6 anos que nos deixou (Janeiro/2018). Também não sei nada da sua ex-colega Margarida Figueiredo, pessoa muito agradável, que por vezes, almoçava connosco, sem o António.

Luís Lavoura disse...

O meu amigo Carlos Antunes morreu, com o vírus

Saúde-se que o Francisco tenha escrito, corretamente, "com o vírus", e não "por causa do vírus".

Francisco Seixas da Costa disse...

Luís Lavoura. É claro que Carlos Antunes morreu POR CAUSA do vírus.

Do Irão a Israel

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