terça-feira, 21 de setembro de 2021

Notícias da terra

A Covid anda por aí a matar em barda, o Afeganistão está no estado em que está, no Médio Oriente as coisas estão empatadas mas sempre à bica de poderem explodir, na Ucrânia vive-se a paz podre de há muito, os islamistas desestabilizam o Sahel e espalham-se como azeite por outra África, a Europa política, depois do Brexit, está dividida e num coma de projeto disfarçado pela retórica auto-congratulatória e pelos lucros do euro, Putin ganhou com fraudes e Bolsonaro e outros Maduros do género autocrático lá vão andando, os EUA e os seus amigos assustados do Oriente “fazem peito” e desafiam agora uma China cada vez mais deslumbrada com o seu poderio, a ONU, coitada, faz o que pode e, infelizmente, pode pouco e queixa-se muito. Também sei que as desigualdades globais, em matéria de riqueza, não se atenuaram ou até se agravaram, que há muita fome no mundo dito em desenvolvimento e uma crescente exclusão nos países mais ricos, que há muitos e cada vez mais refugiados à procura de abrigo e milhões de deslocados internos pelo mundo, que continua a morrer gente a atravessar o Mediterrâneo, que os extremismos atiçam cada vez mais ódios e potenciam os medos, levando a um alheamento cívico preocupante. Sei tudo isso, mas gostava de dar uma “novidade”: nunca tanta gente viveu tão bem em todo o mundo e raramente se atravessou um período de paz e redução de luta armada aberta como aquele que vivemos. Sei que isto “não dá jeito” e vai a contraciclo do sentimento prevalecente na maioria, que parece viver confortavelmente deprimida, num discurso catastrofista e tremendista, acossada por alguns receios concretos mas em geral difusos, para quem os factos são, afinal, um pormenor que não pode abalar as convicções que já têm adquiridas como verdade. Repito: pode parecer o contrário, mas é assim mesmo. Pensem nisto!

4 comentários:

Jaime Santos disse...

Eu diria que concordo, só que se esqueceu da crise climática que é verdadeiramente a única ameaça global à melhoria das condições de vida que temos vindo a observar nas últimas décadas.

Lembram-se dos tristes anos setenta e oitenta, em que existia ainda uma URSS que supostamente era muito boa para manter os capitalistas em sentido e obrigá-los a dar melhores condições aos trabalhadores no Ocidente, não fora esse pequeno pormenor das populações da Europa de Leste esmagadas pelo despotismo, a ameaça da guerra nuclear, e ainda uma China atrasada, acabada de sair da demência de uma revolução cultural, em que em Portugal os nossos soldados morriam em África a lutar por uma causa perdida e sem sentido, se tiritava de frio nas escolas e a mortalidade infantil era o que era, assim como o analfabetismo, a investigação científica não existia, e etc, e etc...

Mas é isso mesmo que nos querem vender, uns e outros, como o paraíso?

Almeida_B disse...

Para mais informações: https://www.wook.pt/livro/factfulness-factualidade-hans-rosling/21378903
:)

Portugalredecouvertes disse...

Sim, penso que as pessoas deveriam colocar mais vasos de flores nas janelas ou nas sacadas e florir os seus jardins para alegrar a vista a quem passa ou simplesmente para celebrar a paz e a vida

José Figueiredo disse...

Concordo a 200%.
José Figueiredo