segunda-feira, 20 de setembro de 2021

A utilidade marginal das imagens


Em 2017, fiz ver por escrito à CMTV que era uma desnecessária e preguiçosa atitude, sempre que aquele canal fazia uma peça sobre reformas ou pessoas idosas, apresentar umas imagens captadas no Jardim da Estrela, em que surgia Rui Mário Gonçalves à conversa com José-Augusto França. Creio não ter tido o menor êxito.

Dado que o primeiro tinha morrido uns anos antes, parecia-me indelicado, para a respetiva família, que essas imagens se repetissem, tanto mais que o nome dos “figurantes” não vinha sequer ao assunto. O “cameraman” terá filmado aqueles ”velhotes” como podia ter filmado outros quaisquer. E, no entanto, ali estavam duas figuras importantes da escrita sobre a arte portuguesa, por mera obra do acaso.

Ora bem! Com a morte de José-Augusto França, surge agora uma bela ocasião para aquelas imagens da CMTV saírem do arquivo. Procurem pela palavra ”reformados” ou “idosos” ou “velhos”. Vão ver que encontram.

7 comentários:

David Caldeira disse...

Lamentável. Matéria próxima, tem a ver com o deprimente espetáculo de hoje de um programa de TV, na SIC, com o supostamente engraçado Ricardo Pereira, em que por longos minutos foi exposto um candidato do Chega a uma autarquia. A pessoa em causa, evidencia uma situação de diminuição de capacidade que não deve nem pode ser objeto de risota. As doenças alheias não deveriam servir de motivo de gozo. E não, não é censura, é respeito.

Unknown disse...

David Caldeira o seu problema é o candidato "ter sido exposto" num programa de televisão? Mas ao tornar-se candidato a pessoa não ficou exposta? E isso não o incomoda? Uma candidatura, por um partido politico, de uma pessoa com as características que lhe aponta e que efetivamente evidencia à saciedade não o incomoda nada? Não lhe diz nada acerca do partido?

Luís Lavoura disse...

Seria indelicado fossem quais fossem as pessoas exibidas. A televisão não tem o direito de mostrar imagens de quaisquer pessoas filmadas a pequena distância e de forma identificável. Tal como a google não tem tal direito. As pessoas têm direito à privacidade da sua imagem.

Horacio disse...

Ligando o texto do blog ao comentário anterior, também lamentável foi, no mesmo programa, com intuitos cómicos, ser longamente exibida uma foto dum candidato, entretanto, falecido. Piada falhada, como falhada foi a identificação da localidade: Oliveira de Frades e não Oliveira de Azeméis.

David Caldeira disse...

Claro que, ao candidatar-se a um cargo público, qualquer pessoa fica exposta. É da natureza das coisas, isso nem está em discussão. O que está em causa é a exploração para diversão da "populaça", da situação particular do ser humano em causa. E sim, diz sobre a natureza do partido porque se candidata. Mas não é isso que está aqui em causa, é a dignidade humana, que, que eu saiba, não tem partido.

Afonso Brandão - Jornalista disse...

A maioria destes casos surgem por desrespeito da privacidade e de abuso desmedido.
Convém lembrar que "gestos" destes não aconteciam há 50 anos quando comecei a dar os meus primeiros passos no Jornalismo, em 1968, no então Jornal DIÁRIO de Lourenço Marques, actual Maputo, em Moçambique.
E porquê? É simples explicar. Naquele tempo o Jornalismo era feito com seriedade e respeito; hoje é feito por ignorantes e amadores ditos profissionais de "faca e alguidar" e de "carregar pela boca"... Um nojo!!! Evidentemente que esta classificação não é generalizada, pois ainda temos bons profissionais na Comunicação Social.
Os casos aqui relatados são, de facto, gritantes!
Mais comentários para quê, se a maioria das Chefias das Televisões e dos nossos Jornais estão «entregues à bicharada»...?!

Afonso Almeida Brandão
Carteira Profissional de Jornalista Nº 168 A

Unknown disse...

Senhor embaixador
O que a repetição da imagem daqueles dois "velhos" sentados no Jardim da Estrela revela, sobretudo, a pouca cultura do homem da câmara, do s sucessivos chefes que foram vendo as imagens sem perceberem que se tratava de duas grandes figuras da cultura portuguesa.
Mas é o que temos por aí, sobretudo em certas casas que fazem jornais e emitem imagens através da televisão.
MB