terça-feira, setembro 07, 2021

Merkel


16 anos no poder. Em metade deles, não gostei nada da senhora. Na outra metade, reconheci que estava errado e percebi que era uma notável estadista. E como esta segunda opinião acaba por ser a última, para mim esta é que importa. E mais: já começo a ter saudades dela.

9 comentários:

AV disse...

Concordo. Ainda vamos ter saudades dela.

jose matos disse...

Exactamente como eu senti e sinto. Mulher de muito valor...

Jaime Santos disse...

O grande defeito de Merkel, penso eu, é que empurrou a crise europeia com a barriga até não ser possível fazer outra coisa que não abrir profundamente os cordões à bolsa. Tivesse ela, juntamente com Sarkozy, inundado a Grécia com Euros e provavelmente a resposta à crise ter-lhe-ia ficado mais barata e não custado tanto aos povos envolvidos, o nosso incluído. Mas isso iria contra o moralismo alemão de não beneficiar o infrator (a Alemanha também se tem fartado de ganhar dinheiro com tudo isto).

Por outro lado, as suas respostas à crise dos refugiados e à crise pandémica foram notáveis.

Com os seus defeitos e virtudes, é provavelmente a última grande estadista a abandonar o palco internacional...

Por isso, acho que também vou ter saudades dela...

Portugalredecouvertes disse...

grande mulher
com seus limites de político, que têm de agradar a gregos e a troianos
ela terá no entanto tido um sentido europeu, pelo menos fica essa perceção

Luís Lavoura disse...

era uma notável estadista

Era-o em quê?

A decisão notável dela foi ter dado abrigo a um milhão de refugiados em 2015. Foi uma decisão única, que não chega para classificar uma estadista como "grande". E essa decisão tornou-se rapidamente muito impopular no país dela; ela passou os anos desde 2015 a tentar evitar repeti-la.

José disse...

Há muita gente a dizer o mesmo. È pena é não terem a decência de pedir desculpa a todos os que ofenderam quando pensavam o contrário.

Ainda me lembro das pichagens com a mulher com bigode à Hitler...

caramelo disse...

Que diabo... Saudades de quê, exatamente? A nós, particularmente (e outros países do sul) impôs medidas draconianas, com arrogância moralista. Será isto a nossa atávica admiração por governantes com mão de ferro? Eu prefiro governantes mais modestos e empáticos.

Jaime Santos disse...

Parece-me que a maioria daqueles que criticaram Merkel não a compararam com Hitler, o que além de um insulto à própria Merkel seria sobretudo um insulto às vítimas do nazismo. Só me lembra de uns quantos cartazes imbecis em manifestações onde, como se sabe, cabem todos os disparates...

E claro que a decisão de aceitar um milhão de refugiados (creio que só a Suécia aceitou mais em percentagem da população) seria um one-off. A UE tem andado desde então a fazer os possíveis por manter os ditos refugiados fora das suas fronteiras, inclusive pagando a países pouco recomendáveis como a Turquia.

Mas isso também se deve à intransigência de políticos como Orbán, que recusou uma partilha equitativa, esquecendo que 200.000 húngaros receberam asilo aquando da invasão soviética daquele País. Imagino que também então deve ter havido quem disse que os valores coletivistas dos húngaros ameaçavam a Europa ;) ...

Mas não foi a única coisa que Merkel fez direito. A resposta à crise pandémica na Alemanha e depois a nível europeu foi outra (mesmo se com atrasos que custaram imenso a países como a Itália). E a política de abandono da energia nuclear pela Alemanha, por exemplo, embora com erros, merece relevo (na verdade vem do Governo SPD-Verdes).

Isto tudo dito, surpreende-me porque não apareceu ainda alguém a fazer o elogio das virtudes de Walter Ulbricht, uma espécie de anti-Merkel, que não deixava ninguém entrar ou sair. A sua resposta a uma questão de uma jornalista alemã-ocidental merece ficar nos anais da comédia política para os séculos:

https://www.youtube.com/watch?v=fH_T0vIZaGo

A fazer lembrar aquela citação latina que diz que quem clama inocência a uma acusação que não foi feita, admite a culpa :) ...

Luís Lavoura disse...

A resposta à crise pandémica na Alemanha e depois a nível europeu foi outra

Foi melhor do que em 2011, certamente, mas foi muito mais débil do que a resposta dada pelos EUA e pelo Reino Unido. Com as consequências que atualmente se observam na pujança económica desses países, comparativamente com a União Europeia. Enquanto que os EUA deram dinheiro diretamente às pessoas, a União Europeia permaneceu com a política tradicional conservadora de compra de "ativos" - uma política que favorece quem tem "ativos" e portanto aumenta a desigualdade.

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