domingo, 12 de setembro de 2021

Meia dúzia de histórias com Jorge Sampaio - no Procópio


Não consigo precisar a conjugação de circunstâncias que proporcionaram a cena. Nem sequer o ano, que deve ter sido 1996 ou 1997.

Por uma qualquer razão, a minha mulher jantava com Maria José Ritta, com quem trabalhava. E como, por coincidência, eu também jantava nessa noite, noutro local, com Jorge Sampaio, já então presidente da República, alguém propôs que, no final desses dois jantares, convergissemos no bar Procópio, fazendo uma visita ao Nuno. O Nuno era o Nuno Brederode Santos, “titular” da Mesa Dois, a minha tertúlia de estimação. O Nuno, talvez o maior amigo de Jorge Sampaio, e vice-versa, ficou radiante com a ideia.

Notei que, na abordagem que fiz a Jorge Sampaio, embora ele tenha anuído à ideia, o senti um pouco contrafeito, o que quase me levou a desistir da iniciativa. Mas achei-a, ainda assim, meritória: levar o presidente da República ao Procópio era algo que tinha alguma graça! Sabia que Sampaio e a sua mulher, já tinham estado algumas, emboras raras, vezes no Procópio, mas eu nunca tinha estado com eles por lá.

Depois do jantar, que deve ter tido um contexto oficial qualquer, Jorge Sampaio deu-me boleia para o Procópio. E explicou-me, então, aquilo que eu percebera ser a sua relutância à minha ideia: “ Como sabe, eu sou muito crítico da forma como o Nuno, nesta sua vida diária naquele bar, vai arruinando a sua saúde. Tenho-lhe feito sentir isso, quase sempre de forma indireta, ao longo dos anos, com o “sucesso” que se tem visto. É por isso que ir visitá-lo “ao local do crime” me faz alguma impressão, porque pode parecer, desta forma, que estou como que a desculpabilizá-lo. Mas, pronto!, uma vez não são vezes!”. 

E lá fomos. Foi uma noite muito agradável, com a família Sampaio a sair cedo. As noitadas eram mais o estilo de quem ficava pela Mesa Dois.

Sem comentários: