sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Francisco Pinto Balsemão


António Costa decidiu ontem homenagear Francisco Pinto Balsemão, por ocasião dos 40 anos dos governos que chefiou e dos 84 anos daquela que é a mais importante figura política viva da nossa democracia - e a luta de Balsemão pela liberdade começou bastante antes do 25 de Abril, note-se.

Há tempos, escrevi por aqui isto: “Na história do nosso jornalismo, e na nossa história política, Balsemão tem hoje um lugar cativo, por muito que isso desagrade a muitos dos que se politicamente se lhe opõem. Portugal seria um país democraticamente bem mais rico se dispusesse de muitas mais figuras com a estatura cívica de Francisco Pinto Balsemão. É o que penso, muito sinceramente.” Reafirmo-o hoje, com gosto e convicção.

Tenho uma grande consideração pessoal por Francisco Pinto Balsemão, com quem me cruzei muitas vezes, ao longo das últimas décadas. Em tempos mais recentes, estivemos juntos na comissão, nomeada pelo governo Passos Coelho, que elaborou o último Conceito Estratégico de Defesa Nacional. A partir de 2013, integrei o Conselho da FCSH da Universidade Nova de Lisboa, a que ele presidia. A seu convite, fui orador em encontros de reflexão estratégica, que promoveu em Cascais, com o jornal “Expresso”. Não partilhamos as mesmas opções políticas, mas creio que temos visões basicamente comuns sobre aspetos essenciais da nossa vida cívica. Francisco Pinto Balsemão é, estruturalmente, um grande democrata - e isso, para mim, é muito importante.

Comecei, há pouco, a ler as suas “Memórias”, que ontem foram publicadas. São cerca de mil páginas (!) e, como os meus dias, nos próximos tempos, vão estar muito ocupados com outras tarefas, o ritmo da sua leitura terá forçosamente de ser baixo. Dito isto, tive já oportunidade de ler alguns capítulos do livro, que me parece um testemunho muito relevante. Há muita gente que por ali fica com “as orelhas a arder” e Balsemão tem, para algumas dessas pessoas, uma “mão pesada” - e tem a coragem política necessária para a usar. Fazem falta livros com esta frontalidade, que é um erro fácil confundir com azedume e mero ajuste de contas. São obras desta natureza que vão ajudar a escrever a nossa História.

Deixo aqui, nesta ocasião, um abraço amigo a Francisco Pinto Balsemão.

1 comentário:

Flor disse...

1000 páginas é obra! Poderiam ter dividido em 2 tomos. É pesado para carregar.