sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Olhares noturnos (3)


Em 1954, Ferreira de Castro e Aquilino Ribeiro estiveram na origem da Sociedade Portuguesa de Escritores (SPE). Dois anos mais tarde, ela veio a ser autorizada pela ditadura. Em 1965, ao tempo em que era presidida por Jacinto do Prado Coelho, a SPE decidiu atribuir o Grande Prémio de Novela ao livro “Luuanda”, de Luandino Vieira, um militante nacionalista angolano então preso no Tarrafal. Dias depois, a SPE foi extinta, por despacho do ministro da Educação, Inocêncio Galvão Telles. Nessa mesma noite, um bando de legionários e fascistas correlativos assaltou e destruiu a sede da SPE. Só em 1972, já no marcelismo, a SPE viria a recuperar parte da sua memória, sendo então criada a Associação Portuguesa de Escritores (APE). Nos dias de hoje, a atividade mais relevante da APE parece ser atribuição de prémios literários, mas imagino que desenvolva outras ações a que eu tenha estado desatento. A sua sede fica na minha rua. 

5 comentários:

7ze disse...

Luandino, um homem honesto, que, apesar do injusto cativeiro a que foi submetido, se recusou a alinhar na diabolização do Tarrafal, como pretenderam em tempos alguns jornalistas...

Luís Lavoura disse...

Coitada da sede, deve ter estado quase sempre vazia, nos últimos meses.

aguerreiro disse...

E agora tantos anos passados virou eremita no cenóbio de S. Paio dos Milagres em Loivo, V N Cerveira.

albertino ferreira disse...

Já a visitei, no âmbito de uma viagem que organizou às Terras do Demo e também a Paredes de Coura para homenagear Mestre Aquilino e a sua obra, de quem sou ferrenho admirador!

Tony disse...

Casa onde Orlando António da Costa (pai do António Costa), fora Vice-Presidente, durante muitos anos. E onde já de madrugada, após sair de uma tardia reunião, fora assaltado. Valeu-lhe o seu valentíssimo assobio que colocou o malandro, ou malandros, a baterem em retirada.