“Um Governo que (não) governa, uma oposição que não se opõe, e um país que anda ao sabor de conveniências, da resposta a interesses de curto prazo, eleitoralistas, sem a avaliação das consequências”.
Quem escreve isto hoje é o jornal online Eco. Podia ter sido o Observador. Ou outra folha similar.
Houve eleições, apenas há semanas. O país teve toda a liberdade para escolher - e escolheu. Quem ganhou, em total liberdade, teve a ingenuidade de pensar que tinha legitimidade política para governar, sob o escrutínio parlamentar que a Constituição prevê.
Mas o Eco, cuja representatividade opinativa não sabemos onde nasce (esperando nós que não radique nos interesses económicos que o financiam), descarta, com a arrogância de uma “boutade”, essa decisão livre dos cidadãos, desqualifica de uma penada o sentido da sua escolha, apouca mesmo a ação da oposição da qual não gosta.
Não sobra nada em Portugal? Sobra, nem tudo está perdido! Sobra a voz sábia e definitiva do Eco!
Os cidadãos votantes, para o Eco, são um bando de palermas, uns inconscientes. O Eco, que passou semanas a promover a Iniciativa Liberal, a quem o descuido do país só conferiu um deputado, é que sabe como melhor se defenderiam os interesses da pátria.
Afinal, tudo é tão simples, em política: para as coisas seguirem no melhor dos mundos, bastaria seguir o que dizem o Eco, o Observador e outras folhas. Afinal, para que é necessário esse gesto vão que é votar?