sexta-feira, 15 de novembro de 2019

O destino das Américas

Se há coisa que a História cada vez mais nos ensina é que temos ser muito prudentes ao ler os seus sinais. Prudentes e modestos, em especial na tentativa de dela tirar ilações para o futuro.

Há uma dezena de anos, muitos de nós olhávamos para a América Latina como uma geografia política que seguia um curso relativamente linear, embora diverso dentro de si e com alguns identificáveis riscos de percurso. 

Sabíamos e sabemos que os Estados Unidos nunca prescindiram de ter um “droit de regard” sobre um sub-continente que consideraram, na aplicação da (sua) “doutrina Monroe”, como uma zona de legítima influência direta, parte do seu perímetro de segurança próxima. O fator cubano, inserido no contexto da Guerra Fria, deu-lhes um alibi fácil para poderem continuar a apoiar e a gerar, na região, alguns títeres autoritários e, em caso de evidente desvio dos seus interesses, intervirem e recolocarem as coisas nos eixos favoráveis ao “mundo livre”, mesmo que para tal fosse necessário reforçar alguns ditadores. A “liberdade” do seu mundo, de que os EUA sempre se arrogam como lídimos intérpretes, vale sempre o condicionamento da liberdade de outros. A frase de Roosevelt para qualificar um dos ditadores que interessavam a Washington ficou na História da “realpolitik” mais cínica: “He is a son-of-a-bitch, but he is our son-of-a-bitch”.

O mundo ocidental, em geral, viveu sempre confortável com a ideia de que a América era, em princípio, um “assunto” dos americanos (do Norte). Com o fim da Guerra Fria, embora com a política interna dos EUA a determinar a continuação da quarentena a Cuba, os americanos descortinaram um novo alibi para manterem a sua intervenção na região: a luta contra o tráfico de droga. Era um problema real, que rapidamente se converteu num pretexto para facilitar intervenção nos assuntos internos de alguns parceiros, com a América Central como alvo mais óbvio.

Mas, um pouco por todo o sub-continente, o tempo das ditaduras militares, que a polarização Leste-Oeste adubara, parecia estar a ser sucedido por regimes cada vez mais democráticos, embora alguns com alguma dose de autoritarismo, muitos ainda com processos de guerrilha militarizada cujo efeito a comunidade internacional procurava atenuar por mediações pacificadoras. A Europa, agora com uma ambição política a orientar-lhe uma atitude externa comum, começou a tentar mostrar-se relevante no diálogo com os países latino-americanos e com as suas novas estruturas intergovernamentais. Era um proselitismo democrático que, de certo modo, cobria um interesse de presença económica, ajudando esses Estados a sair do exclusivismo da relação intra-americana, a que atores de outras geografias (China, Turquia, etc.) igualmente ajudavam.

Os modelos tendencialmente democráticos que iam surgindo um pouco por toda a América Latina, alguns marcados por artificialismo institucional, que só a esperança podia fazer crer que teriam sustentabilidade temporal, não parecia, contudo, conseguir atacar uma realidade que, em lugar de se atenuar, se ia mesmo agravando: as clivagens sociais e económicas, em parte disfarçadas por surtos conjunturais de crescimento que absorviam alguns dos seus efeitos, nomeadamente de natureza política. Noutros contextos, como aconteceu nos modelos “bolivarianos”, essa abertura cedo teve derivas de populismo, às vezes com o sublinhar dos direitos das comunidades indígenas como pretexto de base.

Uma coisa ficou – e está a tornar-se – muito evidente. Talvez com exceção da Colômbia e da Costa Rica, em quase nenhum dos restantes casos, embora diferentes entre si, se nota estar a sedimentar-se um espírito de reconciliação nacional que nos permita afirmar, com alguma certeza, que a legitimidade das instituições será capaz de sustentar as tensões sociais internas existentes, preservando esses Estados de convulsões potencialmente perigosas. Os exemplos recentes do Chile e do Brasil, que há meia dúzia de anos pareciam encaminhados num rumo de estabilidade e progresso, mostram-nos a inesperada debilidade de alguns modeloS e, regressando ao que disse no início do texto, a necessidade de sermos modestos na certeza das nossas análises.

11 comentários:

Anónimo disse...

A frase era FDR? Pensei que era do McNamara. Quanto ao rest, as coisas são o que da. Aquando da nossa primeira participação no Conselho de Segurancy 1979-80, todos os ocidentais, em articulação com a China, apoiávamos o Pol Pot, esse grande democrata, na guerra contra o Vietname apoiado pela URSS. E sem estados de espírito. Havia então a vantagem de se saber quem era o inimigo.
Fernando Neves

Joaquim de Freitas disse...

"“…em quase nenhum dos restantes casos, embora diferentes entre si, se nota estar a sedimentar-se um espírito de reconciliação nacional que nos permita afirmar, com alguma certeza, que a legitimidade das instituições será capaz de sustentar as tensões sociais internas existentes, preservando esses Estados de convulsões potencialmente perigosas. Os exemplos recentes do Chile e do Brasil…”.

Exactamente, Senhor Embaixador.

Como é possível preservar esses Estados quando, não se reconhece o direito a uma maioria eleita democraticamente de governar. O Chile é um bom exemplo. Mas a Venezuela e a Bolívia também. Dois países onde dois indígenas foram eleitos nas urnas mas que são contestados pelas minorias. Porque na Bolívia, os Índios são 70% da população…já os fascistas propõem que os indígenas não votem… Como falar de Democracia nestas condições?

E como reage a minoria branca? “Este Morales é, afinal, um índio. Fora com os índios do Palácio Quemado (Palácio Presidencial)! Ladrou Luís Fernando Camacho. Fora com o Whipala! A Pachamama nunca mais entrará aqui! "É o retorno da Bíblia!", diz ele. « Perros e Indios de mierda… » diz ainda.

Ouvi as mesmas frases nos bares do meu hotel em Caracas, há anos, quando a fina flor da burguesia de negócios local falava de Chavez !

Todos sabemos que esta sociedade branca é racista e nunca aceitou ser governada por índios.

Veremos como as coisas vão evoluir, agora que o MAS (El Movimiento al Socialismo (MAS)) de Morales e outro partido da esquerda se reuniram , no terceiro dia da gestão do governo interino de Jeanine , Áñez.para eleger a nova Assembleia. Já têm a maioria assegurada.

Lúcio Ferro disse...

Veremos, a parada é alta. Não tenho qualquer prova, mas tenho vastos indícios de que as mãos da CIA deoutras agências, mais uma vez, estão a pôr o quintal na ordem.

Anónimo disse...

Senhor Joaquim Freitas

Na Venezuela não existe democracia, mas sim uma ditadura narco/comunista que reprime barbaramente que se lhes opõe.

Não têm qualquer legitimidade democrática, foram eleitos compôs nos bons velhos tempos da URSS, falsificando os resultados eleitorais e prendendo os opositores.

Joaquim de Freitas disse...

O Anonimo de 16 de Novembro às 16:30:

O anónimo talvez queira referir-se aos 2 000 mortos nas ruas de Caracas, em 1989 ? O “Caracazo”? Sob o governo desse amigalhaço de Bush, Carlos Andrés Perez.( Bush que todos conhecem no mundo como protector das democracias, como a Arábia Saudita ?)

Esse Perez, destituído pelo Senado em 21 Maio. 1993 por corrupção? Foi morrer em Miami, na casa dos amigos…

Eleições falsificadas? Quais? Estas em 1998?
Hugo Chávez
Mouvement Cinquième République
3 673 685 56,2 %
Henrique Salas Römer
Projet Venezuela
2 613 161 39,97 %

E todas as outras, auditadas pela OEA e Jimmy Carter?

Talvez lhe desagrade o PIB : “per capita” sob o governo de Chavez :
1998 US$ 91,339 bilhões
1999 US$ 97,978 bilhões
2000 US$ 117,153 bilhões
2001 US$ 122,910 bilhões
2002 US$ 92,889 bilhões
2003 US$ 83,442 bilhões
2004 US$ 112,800 bilhões
2005 US$ 144,128 bilhões
2006 US$ 183,221 bilhões
2007 US$ 230,043 bilhões
Também é verdade que os tempos mudaram: o barril de petróleo venezuelano custava US$ 103 (e não os US$ 46 actuais). E isso é a culpa de Chavez…talvez !

Gostei muito da sua frase:" prendendo os opositores" ! Pena é que Maduro nao aprenda isso, porque o seu amigo Guaido hà muito que estaria na prisao..

Anónimo disse...

Senhor embaixador
Claro que estou a tornar-me impertinente; mas não me parece que fique bem a quem parece pensar e escrever tão bem, como é o seu caso, que insista, com alguma distração "snob", em escrever "americanos" quando se refere aos "estado-unidenses" e "América" quando deveria escrever "Estados Unidos da América do Norte".
Mas eu, que tanto aprecio a maior parte do que escreve, vou continuar a "puxar-lhe as orelhas"...até que deixe de publicar estas minhas "impertinências"... ou que se corrija..
MB

Anónimo disse...

Joaquim Freitas deveria saber que Nicolás Maduro foi “eleito” numas eleições totalmente viciadas, cuja Comissão Nacional de Eleições falsificou claramente os dados, nomeadamente a abstenção que foi absolutamente brutal, mas o regime teve o desplante de afirmar que tinha havido uma grande votação.
Até criaram grupos de motorizados que iam votando nos vários locais de votos.

Este regime ditatorial intimida e prende os seus opositores sem qualquer respeito pelos direitos humanos, como constatou o últimos relatório das Nações Unidas, elaborado na sequência da visita da Senhora Bachelet.
Ontem para desmobilizar a oposição o governo além de uma presença policial maciça, cotou o metro no centro de Caracas e bloqueou vários meios de internet como o You Tube e instagram.

Ontem voltaram a ser detidos manifestantes, que mais não eram do que cidadãos a protestar contra este regime ditatorial que colocou uma grande parte dos venezuelanos na miséria e destroçou a economia deste país.

O governo já tentou deter Guaidó, mas ainda não conseguiu. Conseguiu contudo deter vários outros, entre os quais vários deputados da Assembleia Nacional, que depois são mantidos presos sem julgamento. O vice-presidente do parlamento foi bloqueado pelos serviços de segurança dentro do carro que foi rebocado directamente para a prisão. Na prisão vários opositores são barbaramente agredidos, tendo inclusive alguns falecido.

Quanto aos números que cita recordo que o que Chávez ganhou na altura do petróleo caro, foi quase todo delapidado em projectos de fachada ouvque não foram concluídos. Uma boa parte desses lucros também está nas contas dos dirigentes do PSUV e dos seus amigos.

Calculo que não queira ver a realidade, mas a Venezuela é uma ditadura comunista e os seus dirigentes destruíram a economia, onde a moeda que circula é o dólar dos seus amigos americanos, pois o Banco Central da Venezuela já quase não consegue imprimir bolívares... Ao mesmo tempo uma boa parte da população busca no lixo com que se alimentar.

Joaquim de Freitas disse...

SE, um país que tem um produto chave na sua economia, que tem as maiores reservas reconhecidas de petróleo do mundo, com 303 bilhões de barris, superando o maior exportador global, a Arábia Saudita., mas que as sanções americanas contra a PDVSA reduziram as exportações diárias aos EUA para 149 mil barris por dia em Fevereiro, de 484 mil barris por dia em Janeiro;

SE, os EUA ameaçam o resto do mundo com sanções de toda a espécie, se fizerem comércio com a Venezuela, impedindo-a de obter divisas, de comprar alimentos e mesmo medicamentos, em suma de fazer funcionar a sua economia;

SE, apesar do apoio a operações de destabilização, como a gestão da insurreição de 30 de Abril
na qual Guaidó avançou sem apoios militares suficientes para levar o seu movimento a bom termo;

Se, os EUA acreditaram que meses de miséria Madurista seriam o rastilho da revolta, esquecendo
as lições do passado, nomeadamente o fracassado golpe de 2002 contra Chavez, apoiado pela administração de George W. Bush.

Se o anónimo não leu a história do passado repleta de iniciativas americanas para derrubar, ou substituir governos estrangeiros inconvenientes, como:-

O golpe de 1953 no Irão, que derrubou o governo e o substitui por décadas de autoritarismo de Reza Pahlavi – numa operação conjunta da CIA e do MI6.

A invasão de Cuba, em 1961, que soçobrou ingloriamente na Baía dos Porcos. E Fidel Castro permaneceu no poder
.
A revolta popular na Hungria, esmagada pelo regime comunista, sem que os sublevados recebessem a ansiada assistência ocidental prometida pelos EUA.

A revolta curda e chiita no Iraque esmagada por Saddam Hussein, perante a indiferença dos EUA, que a tinham exortado. E mais recentemente o abandono dos Curdos a Erdogan.

Se o anónimo não compreendeu que as interferências dos EUA na América Latine, saldam-se, não raro, por cruéis traições de expectativas, se não de promessas.

O anónimo engana-se se acredita que as sanções derrubam governos. As sanções não derrubam governos – como atestam inúteis décadas de punição económica de Cuba.

A crise venezuelana continua banhada de incerteza, sem um fim claro à vista. Guaidó, é uma causa de decência humana.

Alguém que pede aos estrangeiros de invadir o seu país, na impossibilidade de derrubar Nicolas Maduro com sanções e pressão económica, política e diplomática, é um traidor destinado ao pelotão de execução. Como são todos aqueles Venezuelanos que defendem a mesma causa de traição.

Anónimo disse...

Senhor Joaquina Freitas

Por favor não divague. A crise económica da Venezuela começou muito antes das sanções dos EUA.

O regime narco/comunista de Chávez e Maduro destruiu completamente a economia venezuelana. Se viesse à Venezuela em 2017 e em 2018, antes de quaisquer sanções poderia ter verificado que quase não havia nada à venda nos supermercados. A tentativa de regularização de preços, obrigando os empresários a vender abaixo do custo fez com os produtos desaparecessem e apenas pudessem ser adquiridos por aqueles que fruto, de poupanças ou de negociatas com o governo tinham acesso a USD. Não foram as sanções que puseram o povo com fome e causaram o maior êxodo populacional de que há memória na América Latina.

Não foram as sanções, mas sim a inépcia e a corrupção do regime ditadorzão venezuelano que não fizeram os investimentos necessários nas redes de distribuição de electricidade e energia que causaram a horrível situações que aqui se vive. Temos zonas de Caracas que estão sem água à mais de um mês. Temos apagões sucessivos que já causaram inúmeras mortes em hospitais.

Na Venezuela entre 1999 e 2014 96058900000 USD, quase 1 bilião de USD. Chávez teve um aumento de receita em relação ao governo anterior de 371,29%. Mesmo assim o endividamento do Estado triplicou e pouco se viu com isso, umas caixinhas de CLAP e alguns projectos de habitação.
Segundo economistas venezuelanos reconhecidos, desse quase um bilião de USD, cerca de um terço foi desviado por esquemas para as contas dos vários dirigentes do PSUV e seus amigos.

Compreende-se assim que o povo esteja farto e que tenha saído à rua a protestar e a tentar derrubar o governo. Este contudo desde Chávez teve a política hábil de comprar os militares, que em vez de cumprirem a sua missão de defender a Venezuela estão no essencial metidos em todo o tipo de negócios legais e ilegais e por isso sabem que se abandonarem o poder perderão os seus rendimentos e poderão ser detidos pois vários deles estão ligados ao narcotráfico, como por exemplo o ex-director do SEBIN Hugo Carvajal, que desapareceu em Espanha.

Não é assim de todo. Incompreensível que o Presidente Interino da Venezuela, Guaidó, tenha recorrido ao TIAR, Tratado Interamericano de Assistência Recíproca de 1947, para pedir ajuda militar para derrubar mais um regime comunista.

Não creio que ele e as centenas de milhares que desfilaram nas ruas sejam traidores, são sim patriotas que procuram ajuda para derrubar uma ditadura que todos os dias mata vários dos seus concidadãos e oprime too um povo.

Joaquim de Freitas disse...

Compre o livro, anónimo das 21:07. Eu li-o :

“Venezuela… Esse é o país com o qual deveríamos entrar em guerra. Eles têm todo esse petróleo e estão bem no nosso quintal.”
— Presidente Donald Trump numa conversa privada em 2017, citado no novo livro do ex-director do FBI (Polícia Federal dos EUA) Andrew McCabe"

Se não compreendeu ainda que todas as desgraças deste país provêem do seu petróleo, não porque é mal gerido ( 93% das exportações, mas na Arábia Saudita são 92%!) mas porque é cobiçado.

Donald Trump, e o seu governo estão se lixando para o povo venezuelano. Para a democracia, tampouco. Sempre foi assim. E é importante que qualquer conversa construtiva sobre a crise política venezuelana comece com o reconhecimento deste facto.

Mas talvez o seu anti socialismo visceral o impeça de reflectir.

Os Venezuelanos são vítimas dum monstro que governa o continente. E que se ataca mesmo agora aos Europeus. Vamos lembrar que Trump é aquele que chamou nações da América Latina e África de “países de merda” (shithole countries), fez campanha em cima das ideias de “América primeiro” (America first) e que mexicanos são “estupradores”, acabou com regras para minimizar mortes de civis em acções militares e decidiu separar dos seus pais crianças latinas — até bebés — que tentavam ser reconhecidos como refugiados nos EUA. Trump colocou essas crianças em prisões horrorosas. E não pense por um segundo que ele se liga para a diferença entre uma criança venezuelana, mexicana e guatemalteca.

Para além de todas as declarações de Trump mostrando o seu total desprezo pelas pessoas em países como a Venezuela, num discurso no Congresso em 2017, Trump pediu uma nova legislação para “garantir que os dólares americanos de ajuda externa sempre sirvam aos interesses americanos e que só vá aos amigos da América, e não aos inimigos da América” (como se isso fosse uma novidade).

Numa entrevista à Fox News Business, o seu conselheiro John Bolton, disse sem nenhuma hesitação:

“Conversamos com grandes empresas americanas agora (…)Faria uma grande diferença para os Estados Unidos economicamente se pudéssemos ter companhias de petróleo americanas investindo e produzindo com o potencial de petróleo da Venezuela. Seria bom para o povo da Venezuela. Seria bom para o povo dos Estados Unidos.

Os EUA querem abrir mercado para empresas americanas— empresas cujas operações venezuelanas foram desapropriadas pelo governo chavista. Petróleo, é só nisso que eles pensam. Bolton disse que “o presidente deixou claro que todas as opções estão na mesa” sobre a Venezuela, claramente sugerindo que um bombardeio ou invasão militar não estão descartados. Recentemente, Trump repetiu a mesma frase.

É incontestável, que os EUA estão explicitamente interessados no petróleo venezuelano, a maior reserva do mundo, Eles não se importam com “danos colaterais” (leia-se: sofrimento humano).

Bolton e Trump escolheram Elliot Abrams para liderar a missão na Venezuela, intimamente envolvido no golpe militar contra Hugo Chávez em 2002 e também em num golpe fracassado na Palestina; um dos idealizadores da guerra no Iraque; culpado de crimes contra a humanidade em Honduras, Nicarágua e Guatemala; e que foi condenado por mentir ao congresso americano sobre os seus crimes.

Se o anónimo não compreendeu que é contra estes monstros que luta Maduro e o seu povo, e que estão na origem de todos os problemas que os afectam , não vale a pena argumentar-mos e abusar do espaço deste blogue, que o Senhor Embaixador nos facilitou.


PS) Uma última palavra: Seria mais honesto de explicar porque Guaido perdeu as ultimas eleições: Guaidó é deputado do Voluntad Popular, partido político que ignorou as eleições presidenciais de 2013 e cujo líder, Leopoldo López, é condenado por ser o autor intelectual de "La salida", que promoveu as "guarimbas" de 2014, com saldo de 43 mortos e centenas de pessoas feridas.

Anónimo disse...

Senhor Joaquim Freitas

Por vezes não é fácil aceitar a realidade quando se está obcecado por um ódio ao regime democrático e uma defesa de regimes comunistas que já provaram que não serviram o povo e foram derrotados, desde a URSS ao Cambodja.

Para si o mal da Venezuela vem dos EUA e isso é falso. A Venezuela está onde está pela actuação dos apaniguados do PSUV, chavistas, maduristas e outros.

A corrupção é brutal e o dinheiro com que esses dirigentes se locupletaram poderia ajudar a resolver muitos dos problemas deste desgraçado país.

Sugiro-lhe que tire umas férias e venha ver como estes narco/comunistas deixaram o país, talvez assim, após enfrentar a realidade, mude de opinião.

Relativamente ao seu PS, mais uma vez está errado, Guaidó não perdeu as eleições, ganhou-as, provavelmente por descuido do governo e da CNE... A oposição ganhou as eleições para a Assembleia Nacional e o PSUV, como bom partido de uma ditadura comunista, não aceitou os resultados, criou inconstitucionalmente uma suposta "Assembleia Constituinte", bloqueou todos os poderes da Assembleia Nacional e até a declarou em desrespeito pela constituição...

Informe-se objectivamente por favor.

Este é o meu último comentário neste momento sobre este assunto. Siga o meu conselho e venha visitar este país, que poderia ser rico, se não fossem os malfeitores que o governam.