A nova ministra da Administração Pública, pessoa que me dizem ser uma das figuras muito competentes deste governo, constata, numa entrevista ao “Público”, que há um grave problema de assiduidade na Função Pública. E, para o combater, para além das medidas de ataque às baixas médicas fraudulentas, propõe-se reintroduzir “incentivos” à assiduidade. Por exemplo, os funcionários públicos que faltem menos poderão vir a ter um acesso mais facilitado à pré-reforma.
Incentivos à assiduidade? Estar no local de trabalho às horas e dias a que o seu vínculo profissional o obriga é o requisito mínimo de um qualquer funcionário, público ou privado. Digo-o com a autoridade de quem serviu o Estado por mais de 42 anos, sem que ninguém tivesse alguma vez de me premiar por ... não faltar!
Posso mesmo imaginar que, na narrativa sindical, deva haver hoje filosofias neste sentido - o sentido de defesa da calaceirice -, sem o que a ministra não teria abordado o tema da forma que o fez.
Ver alguém a ser premiado por cumprir o seu dever é próprio de um mundo que me é muito estranho.
