Há quase uma década, no auge da nossa crise financeira, enquanto embaixador em Paris, chegado ao escritório, a primeira coisa que fazia era abrir o “Financial Times”, pela página do segundo caderno onde vinham os “spreads” da nossa dívida pública, referenciada face ao tratamento que os mercados davam à dívida alemã. Esse diferencial era a medida da nossa tragédia.
De seguida, baixava o olhar umas linhas e comparava o nosso “spread” com o da Espanha. Não me movem emulações peninsulares (a boa diplomacia portuguesa não usa a palavra “ibérico”), mas ia constatando que os nossos vizinhos tinham sempre uma melhor aceitação nos mercados. Não havia nenhuma conspiração contra nós ou algum conluio da imprensa financeira para favorecer Madrid. Aplicava-se apenas a famosa expressão que um assessor de Bill Clinton consagrou um dia para sempre: “It’s the economy, stupid!”
A Espanha continuou a ter um diferencial favorável face a nós, até hoje. Hoje mesmo! Leio num “alerta“ no iPhone que, nesta data de 7 de outubro de 2019, Portugal igualou o “spread” da Espanha. Olé!
