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terça-feira, novembro 30, 2010

Soares e a Europa

Ontem, o Centro Cultural Gulbenkian, em Paris, encheu para ouvir Mário Soares falar da Europa, das suas desilusões com o estado do projeto integrador e, muito em especial, da história de Portugal nessa mesma aventura, da qual foi um dos principais atores.

Numa introdução, o presidente da Gulbenkian, Rui Vilar, um europeísta, antecipou a leitura crítica do conferencista. Depois, António Coimbra Martins - académico, antigo embaixador em Paris e ministro da Cultura num governo de Soares - traçou um percurso muito interessante do seu amigo. Lembrou, a certo passo, que, quando Mário Soares foi deportado pela ditadura de Salazar para S. Tomé, em 1968, Jean-Jacques Servan-Schreiber escreveu no "L'Express" que "deportar Soares para S. Tomé é como se a França deportasse Miterrrand para as ilhas Kerguelem".

Na conferência de cerca de uma hora, Mário Soares foi igual a si próprio, na sua fé europeísta, na sua denúncia dos desregulações que desigualizam o mundo, nos seus elogios a Obama, por contraste com a cegueira de tantos outros. Traçou um retrato do Portugal do século XX, com vivacidade, testemunhos pessoais e muita graça.

No período das perguntas, coloquei-lhe uma questão "simples": "amanhã, dia 1 de Dezembro, fará precisamente um ano que entrou em vigor o Tratado de Lisboa. Devemos comemorar?" Màrio Soares respondeu-me que esse Tratado, que tem apenas um ano, é já hoje, em função da realidade que lhe sucedeu, um tratado "velho".

"Da Guerra e da Paz"