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domingo, novembro 14, 2010

Governos

Ao acompanhar, durante o dia de ontem, os últimos episódios ligados à remodelação governamental que teve lugar em França, veio-me à lembrança uma historieta brasileira clássica, ao que se diz passada com Tancredo Neves, ao tempo em que era governador do poderoso Estado de Minas Gerais. Um Estado, diga-se, com uma área maior que a França...

Segundo se diz, Tancredo terá, um dia, anunciado que ia remodelar o governo do seu Estado. Naturalmente, algumas figuras posicionaram-se, de imediato, para se sujeitarem ao "sacrifício" de entrar no executivo. A certeza de uma dessas personalidades era tanta que havia já posto a correr que a sua participação no futuro governo estava, em absoluto, garantida. Porque o convite tardava em chegar, essa pessoa foi então falar pessoalmente com o governador, expressando mesmo o seu interesse especial por uma determinada pasta. 

Tancredo tê-lo-á desiludido: não tencionava fazê-lo entrar para qualquer cargo do seu governo. O homem caiu das nuvens! Já havia anunciado à família e ao amigos que iria ser governante,  a imprensa já falara no seu nome, a sua não entrada do governo ia ser uma humilhação pública. O que poderia agora fazer?

Tancredo manteve-se firme na sua decisão, mas disse-lhe que tinha uma solução:

- Há uma forma de resolver este assunto, aliás de um modo bem honroso para si. Ao sair daqui, você vai dizer, publicamente, que eu o convidei para entrar no governo. E vai acrescentar que, por razões pessoais, decidiu não aceitar esse meu convite. De imediato, eu confirmarei isso mesmo aos jornais.

E assim foi.

"Da Guerra e da Paz"