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terça-feira, novembro 09, 2010

De Gaulle

Faz hoje 40 anos que morreu Charles de Gaulle. Com ele, desaparecia então "une certaine idée de la France", que soube cultivar desde muito cedo - em especial, desde que reagiu contra Vichy, desde que se impôs em Londres, desde que confrontou Roosevelt, desde que personalizou a libertação. Com a França, de Gaulle iria ter um "affaire" histórico bastante complexo. Descrente da IV República, acabaria por aparecer no topo da vaga de fundo que a fez naufragar. Soube entender que a Alemanha era incontornável, que uma certa Europa era indispensável, que era importante marcar as distâncias face aos EUA, nomeadamente no seio da NATO. Percebeu a onda descolonizadora, soube utilizá-la em favor dos interesses do seu país e teve a coragem de reverter a atitude francesa face à Argélia. Venceu politicamente em maio de 1968, mas acabou por perder a sua ligação com uma sociedade que mudara profundamente e que se cansara de um certo estilo de governação.

De Gaulle, que hoje o presidente Sarkozy saudou como uma figura identitária da França contemporânea, em Colombey-les-deux-églises, faz parte de uma França muito diferente. Como acontece com as figuras históricas, com o tempo diluiram-se bastante as críticas a seu respeito, emergindo com visibilidade valores de que se tornou titular.

Não sendo francês, sinto a tentação de dizer que o franceses têm a felicidade de ter um homem como Charles de Gaulle na sua história.

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