quarta-feira, setembro 27, 2023

O clima, por exemplo

A História prova que certas causas com forte impacto social, que convocam emoções mediatizadas, utilizam métodos cada vez mais radicais e transgressores, mesmo à margem das leis, que esperam ser tolerados, por alegarem pureza de motivos e a genuinidade dos prosélitos envolvidos.

15 comentários:

Rui Figueiredo disse...

“…prosélitos envolvidos…”!! sim senhor! Há muito tempo que não via um eufemismo tão rebuscado!

marsupilami disse...

Estas acções (ainda) são benignas. Veremos como evlouirão, se a inacção se mantiver. A sua função é chamar a atenção para um problema grave e urgente; fazer pressão (e fazer com que os cidadãos façam pressão) sobre os responsáveis políticos e económicos, bem como sobre a academia e meios científicos em geral.

Convém não confundir as coisas: estas acções de chamada de atenção não substituem um debate público sobre o tema, nem os jovens que as fazem têm as competências necessárias para fazerem um diagnóstico apurado e apresentarem soluções bem fundamentadas. Não há razão para os criticar por isso, pois não é esse o seu papel.

Seria do interesse público, e é uma responsabilidade essencial dos decisores políticos (que não têm a mínima atenuante se não o fizerem), a promoção de um debate público aprofundado sobre o tema, substanciado pela informação técnica pertinente. Os objectivos seriam: Primeiro, chegar a um diagnóstico detalhado relativamente consensual daquilo que constituem as questões de facto: onde estamos, que riscos corremos,... (clima, energia e recursos naturais - no mínimo; perda de biodiversidade e estado dos ecossistemas, se possível); Segundo, formulação de cenários estratégicos para o médio e longo prazo; Terceiro, debate sobre as consequências, vantagens e desvantagens de cada cenário e escolha estratégica, com a consciência de que estaremos perante questões e decisões civilizacionais.

Por fim, cada família política, pertinentemente informada, podia e devia dizer como pretende enfrentar os problemas, que cenários previligiam, de acordo com as suas convicções políticas, os seus interesses particulares, o seu entendimento do que é o interesse público, etc etc ...

Mas talvez já seja demasiado tarde. De uma coisa estou convencido: se curto-circuitarmos o processo que descrevi, as nossas sociedades ficarão completamente indefesas e à mercê de todos os demagogos e populismos. A democracia, se não se der os meios para se defender, acabará por soçobrar. Mais importante, do que os detalhes do cenário a seguir, é que a escolha seja fundamentada e partilhada pelos cidadãos. O tema é extremamente "anxiogénico" e se os cidadãos não forem informados e chamados a participar nas decisões, vencerá o irracionalismo, os medos; em poucas palavras, será o caos.

Francisco F disse...

Literalmente as mesmas pessoas que ontem achavam que os tipos que interromperam a apresentação de um livreco - sem violência ou danos -, eram extremistas são as que hoje chamam "ativistas" às miúdas que agrediram o ministro.

Eu escrevi "agrediram"? Não! Porque atirar objetos com tinta à cara de um homem não é agressão, cambada de choninhas! Agressão é dar um beijo a uma mulher. Agressão é confrontar um "ativista" com as suas opiniões, em plena via pública. Agressão é afastar do caminho alguém que nos bloqueia a entrada em casa ou no trabalho.

Os "ativistas" não agridem e muito menos o fazem se forem mulheres. Não! Os "extremistas" do livro (que não podem ser considerados "ativistas de direita" ou "ativistas conservadores" - apenas "extremistas"), esses estão com uma queixa crime em cima por interromperem um evento que tinha menos gente que um lanche. As miúdas, agridem um membro do Governo em público e em direto para a TV e safam-se com 15 minutos de fama (uma delas já vai em 30).

Parabéns a todos os que, passo a passo, vão construindo uma sociedade onde, em nome da igualdade, alguns são mais iguais do que os outros. E quem discorde disto, é "extremista".

Anónimo disse...

??não vislumbrei o que prova a História...

Ferreira da Silva disse...

Senhor Embaixador,

Seguramente que leu o artigo da Dra Carmo Afonso, hoje, no "Público", pelo qual pretende justificar essas ações em razão da, como refere o Senhor Embaixador, "...genuinidade dos prosélitos envolvidos".
Pois muito bem, continuaremos a aceitar a destruição de bens públicos e privados como os que, sistematicamente vemos em França ?
Seguramente se fossem destruídos bens propriedade dos que assim argumentam a opinião seria bem diversa.
E os detentores de cargos políticos têm de aceitar estes vexames?
Como se diz aqui pelo meu sítio : "mas isto agora vale tudo ?"

JA disse...

Pois, sr. embaixador, como a guerra na Ucrânia e a agressão russa, não é verdade? Tudo simples e bem embrulhado pelos média, visão a preto e branco, como convém! Se se fomenta o fanatismo, o que é que se pode esperar?!

Francisco de Sousa Rodrigues disse...

Exatíssimamente, marsupilami.

Francisco F., não vi notícia alguma a classificar como extremistas o septeto a que se refere, portanto não invente.

Lúcio Ferro disse...

Eu gostaria de saber , vejamos, se a bola de tinta, ao invés de ter acertado no rosto do ministro (sorte a dele), tivesse acertado nos olhos e potencialmente cegado o homem. Não há justificação possível para o comportamento destas pirralhas.

Francisco F disse...

Toda a razão JA. Estou a lembrar-me, por exemplo, daquelas pessoas que, vendo uma vala comum com gente de mãos atadas lá dentro dizem: "são atores"!

Nuno Figueiredo disse...

se me permite, com a emergência climática não se deve, nem pode brincar.

Unknown disse...

Lamento que tenha sido o Duarte Cordeiro. Noutros membros do governo, de nariz mais empinado, teria tido mais piada.

Arber disse...

Claro que, depois da compreensão, em vez da condenação, do Presidente da República, estas tão condenáveis cenas vão repetir-se, como aliás se repetiram também as dos cartazes dos professores.

Francisco F disse...

Francisco de Sousa Rodrigues, eu não falei em "notícias".

Aprenda a ler e não invente!!!

Francisco de Sousa Rodrigues disse...

Francisco F,

Certo! Mea culpa!

Carlos disse...

As ditas ativistas são o exemplo mais acabado de como a pretexto duma causa supostamente cheia de generosidade e boas intenções se faz apelo ao obscurantismo com contornos totalitários. Porque sem negar que há uma influência humana nas mudança climática a ideia de que vamos parar tudo o que faz parte da vida contemporânea para suster as mudanças é destituída de qualquer base científica. Além disso o impacto dessa paragem seria catastrófico para a humanidade. Não se pode em caso algum reduzir o futuro do planeta e da população humana às emissões de CO2.

Tudo isto tem mais de dogma e fé numa espécie de redenção pelo castigo do que uma abordagem racional que permita à espécie humana limitar os impactos negativos da sua actividade e conviver com a evolução do planeta Terra. Estes ativistas ignoram que alguns fenómenos naturais foram responsáveis por alterações significativas do planeta Terra. Mesmo a narrativa sobre as temperaturas record (desde que ha registos) fazem tábua rasa de muitos factos e reflectem um prever-se mecanismo de seleção dos dados que suportam a tese ignorando outros que a cintariam. Falamos de mudanças que são fruto de processos iniciados há cerca de 2 séculos com o desenvolvimento da revolução industrial.

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