No Brasil, entrou-se já numa longa reta final para as presidenciais de outubro. Veremos, nos próximos dias, se o recente lançamento, com estrondo, da recandidatura de Jair Bolsonaro, fará reduzir o seu “gap” nas sondagens face a Lula da Silva, o qual, até agora, se mantem elevado, embora longe, pelo menos por ora, de poder prenunciar uma vitória do candidato “petista” à primeira volta. O presidente cessante, que se entregou nos braços de um “centrão” partidário, a quem encheu de benesses financeiras em troca de apoio político, à revelia de tudo quanto tinha anunciado na sua anterior candidatura, entrou num frenesim público que está a ser lido por muitos como uma disposição, “à Trump”, de poder vir a contestar o resultado eleitoral - se este lhe for desfavorável, bem entendido. O patético encontro que organizou com o corpo diplomático estrangeiro em Brasília - o Brasil é um dos países do mundo onde há mais embaixadores estrangeiros residentes -, aos quais transmitiu dúvidas sobre o sistema eleitoral em vigor e sobre a independência do mais alto poder judicial do país, é mais bizarra iniciativa política, com impacto na ordem internacional, que me recordo de alguma vez ter sido titulada por um chefe de Estado de um grande país democrático. Acresce que, em vários setores do mundo ocidental, está instalada uma dúvida sobre se os membros na reserva das forças armadas brasileiras que acompanham Bolsonaro desde antes da sua eleição, e que muitos consideram co-responsáveis por muitas das suas atitudes de cariz anti-democrático, representam o pensamento da hierarquia militar em funções. Esta sombra que Bolsonaro faz pairar sobre a vitalidade da democracia brasileira é talvez o mais nefasto aspeto da sua presidência. E há muito por onde escolher.
