sábado, junho 25, 2022

Transferência ou remoção, eis a questão!

Não há qualquer acordo sobre a língua que possa obviar a desentendimentos semânticos. No Brasil, quando um diplomata vai para uma embaixada no exterior, diz-se que foi “lotado” nessa missão diplomática, isto é, que passou a fazer parte do “lote” do pessoal aí em serviço. E quando sai de um posto para outro, ou segue de regresso à sua capital, diz-se que foi “removido” desse posto, no sentido de ter sido “transferido”. Entre nós, dizer-se de alguém que foi “removido”, soaria estranho: remove-se um obstáculo ou um empecilho, não (em regra) um servidor público. Também pode acontecer, só que não se diz…

Ainda na ressaca de dois dias que passei na Fundação Calouste Gulbenkian, a discutir o futuro das relações entre Portugal e o Brasil, no ano em que se comemoram os 200 anos da independência deste último e em que o coração (físico) do primeiro imperador brasileiro surgirá como uma “vedeta” mórbida dos festejos, lembrei-me do que sempre pensei: somos, afinal, dois povos separados por “tanto mar” e por uma língua incomum.

Vem isto a propósito da notícia, hoje conhecida, de que o presidente ucraniano decidiu mudar a sua embaixadora em Lisboa. Há pouco, na CNN, perguntado sobre isto, estive quase para repegar nos dois termos - o usado em Portugal e o usado no Brasil - e especular: a embaixadora foi transferida ou removida? 

Não fui por esse caminho. Disse, com toda a sinceridade, que entendia que a embaixadora tinha tido uma reação extremamente profissional, ao dizer, à comunicação social portuguesa, que se tratou de uma mudança já programada, até porque ela própria tinha tido a indicação de que iria sair, numa comunicação que lhe havia sido feita pelo respetivo ministro. Quando? Há dois dias. 

Há anos, um embaixador português, cujo nome agora me escapa, “removido” também com breve aviso prévio, ao ser-lhe perguntado pela imprensa sobre se tinha algum comentário a fazer ao que lhe tinha ocorrido, optou por responder que não precisava de dizer mais nada: a decisão era tão eloquente que falava por si…

5 comentários:

Flor disse...

A noticia sobre a Embaixadora da Ucrânia tinha saído há pouco e já os repórteres lhe estavam a fazer perguntas. Gostei da sua resposta, não sei se é verdade mas os repórteres ficaram caladinhos.

João Cabral disse...

Eis porque o Acordo Ortográfico para nada serviu, senhor embaixador. Uma perfeita inutilidade.

Francisco Seixas da Costa disse...

João Cabral. O que tem a ver um Acordo Ortográfico com a semântica? Informe-se melhor.

João Cabral disse...

O senhor embaixador não percebeu. De nada vale um Acordo Ortográfico alegadamente unificador, se depois existem os mais variados problemas semânticos e sintácticos, além dos de pronúncia. Ou seja, os problemas de compreensão entre os dois países nunca foram ortográficos. É o mesmo que tentar pintar duas casas com a mesma cor para dizer que são iguais, mas tudo o resto nelas ser diferente. Fui mais claro agora?

Lúcio Ferro disse...

Parece que houve atraso na entrega dos 15 personnel armoured vehicles da treta, eficazes em operações de policiamento, aquele lixo que o Costa prometera aos gajos no calor emocial provaco pelos oligarcas dos merdia; é capaz de estar relacionado, enfim, slava ukraini, talvez que em seguida seja o zel a ser removido, e é capaz de nem serem os russos a removê-lo, pode acabar (como aliás previ aqui há uns meses) pendurado. Pelos seus próprios lugares tenentes, que estão a ver o caso muito mal parado, o zel anda cabisbaixo e no Donbass é o colapso.

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