Ao tempo em que dirigia a delegação em Paris da Fundação Calouste Gulbenkian, João Pedro Garcia organizou um interessante ciclo de conferências sobre a Europa. Figuras portuguesas e francesas diversas intervieram nessas jornadas, sempre muito concorridas, nos tempos em que a antiga residência de Gulbenkian na avenue d’Iéna acolhia esses eventos,
Um dia, coube a vez a Marcelo Rebelo de Sousa de dizer o que pensava da Europa. Ao tempo, o atual presidente da República era um conhecido comentador televisivo. As suas charlas dominicais, sobre tudo e sobre todos, eram acompanhadas pelo país, mesmo por aqueles setores que com ele não concordavam.
Coube a Eduardo Lourenço, ao tempo administrador não executivo da Fundação, fazer a apresentação de Marcelo Rebelo de Sousa. Fê-lo com imensa graça, trabalhando a figura académica, política e mediática de Marcelo. A certo ponto, saiu-se com esta tirada lapidar: "Hoje em dia, em Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa é como aquelas figuras que, numa vila ou numa cidade pequena, estão à janela, a ver as pessoas passar na rua e vão comentando cada uma delas. Só que, no seu caso, ele acaba, por vezes, por ver “passar” nessa rua o cidadão político Marcelo Rebelo de Sousa e, claro, não se faz rogado e também faz comentários sobre ele”. Marcelo, como todos nós, riu-se imenso.
