Na tarde de terça-feira, escrevi no JN um artigo, que foi publicado no dia seguinte, que terminava assim:
“A minha preocupação, olhando os últimos números mas, principalmente, lendo as tendências em vários países europeus, é saber se, perante a constatação de que podem vir a ser necessárias novas e mais fortes medidas limitativas, existe ambiente público para conseguir impor esse novo pacote de restrições, em condições de garantir a sua obediência generalizada.
É que um eventual incumprimento dessas novas medidas emergiria como um fator de corrosão da autoridade do Estado. E esse seria um drama a somar à tragédia.”
Nem eu pensava no que agora por aí vai, em termos de discussão pública.
Sabe?, é que o embaixador tem um problema epistemológico grave.
ResponderEliminardiz ter havido excepção para os que teimam em fazer política e pedem o reforço dos meios humanos das escolas e do SNS e dos meios materiais das transportadores - de modo a minimizar riscos de contágio.
quando de excepção são estas ideias de trocar esse fazer da política pela acção repressiva da polícia que nos tem vigiar em nome da nossa e do medo - medo que, agora, se chama saúde pública, mas logo se chamará outra coisa qualquer.
como já tem acontecido, as pessoas comentam e exigem o oito e o oitenta!
ResponderEliminaruns valentões sem qualquer medo, outros que consideram que as medidas foram poucas e a más horas
há imensos especialistas neste assunto como noutros assuntos
e não sei porque não se candidatam a gestores de pandemia!
aliás o governo deveria instaurar uma linha de atendimento para admissões de gestores
de pandemia, não faltariam candidatos pelos palpites que se leem por aqui
ResponderEliminarO anónimo de 15 de outubro de 2020 às 22:11 tem enchido as caixas de comentários a criticar os que acha darem palpites.
Dedico-lhe, como nos antigos programas de discos pedidos (ainda os há?), o seguinte trecho de um texto de José Mário Branco (o músico deve-o ter escrito a pesar em gente assim):
«entretém-te, filho,
e vai para a cama descansado
que há milhares de gajos inteligentes a pensar em tudo neste mesmo instante,
enquanto tu adormeces a não pensar em nada,
milhares e milhares de tipos inteligentes e poderosos
com computadores, redes de policia secreta, telefones, carros de assalto, exércitos inteiros, congressos universitários, eu sei lá!»
Vamos lá a ver. O governo propôs duas medidas. Uma delas, o uso generalizado de máscara na rua, não provocou qualquer polémica. A outra medida provocou polémica - mas por ser completamente disparatada. Ou seja, o barulho todo que por aí vai, e de que o Francisco se queixa, não se deve propriamente a a população portuguesa estar pouco propícia para novas medidas, mas sim ao facto de que a medida proposta pelo governo é totalmente disparatada. Por
ResponderEliminar(1) Grande parte da população portuguesa não ter telemóvel que dê para instalar apps.
(2) Não se poder obrigar toda a população a usar telemóvel, dado que ele viola a privacidade das pessoas.
(3) A medida exigir a geolocalização constante das pessoas, o que viola grosseiramente a privacidade.
(4) Não ser possível na prática verificar se as pessoas têm a aplicação no telemóvel ou não, dado que não é legítimo um polícia pedir a uma pessoa que lhe mostre o telemóvel.
(5) Não bastar que as pessoas tenham a aplicação instalada para que ela faça efeito, pois é também necessário que as pessoas dêem seguimento à aplicação, em particular fazendo testes (que custam dinheiro e tempo) de cada vez que a aplicação os alerta.
E mais N razões, todas elas mostrando que a proposta do governo é totalmente tola, ineficaz e ilegal.
O próprio António Costa, aliás, disse que só fazia estas propostas porque "era preciso fazer alguma coisa" e para "dar um abanão". Ou seja, ele fez estas propostas somente porque não encontrou nenhumas outras para fazer.
O Lavoura está errado (pelo menos) numa coisa: a aplicação não exige geolocalização. Veja se percebe: a "app" gera um código associado a um TM. Quando este TM (com bluetooth ligado), sente outro TM (com a "app" e bluetooth ligados), a menos de X metros e durante Y tempo, o TM guarda o código do outro. Quando você declara que tem COVID, o seu TM manda um aviso para a lista de TM junto dos quais esteve dizendo "Este TM com código Z pertence a "alguém" com COVID". É "só" isso. Ninguém sabe quem você é, ninguém sabe onde você andou.
ResponderEliminarO problema, aqui, não é de privacidade mas sim de LIBERDADE!
Isto está a ser o "diabo" para este governo!
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