quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Johnny Halliday

Era junho de 1964. Provavelmente dia 14. Num jornal, saiu a notícia de que Johnny Halliday fora a uma discoteca, algures em França, onde só era permitida a entrada de jovens com menos de 21 anos. O cantor foi lá na última noite em que ainda tinha 20 anos. Faria 21 no doa seguinte.

Para quem, como eu, tinha 16 anos e vivia em Vila Real, onde não havia discotecas, a notícia marcou-me, sei lá bem porquê. Das coisas que eu me lembro...

Apesar de alguns anos mais velho, Halliday, que hoje morreu, é "um rapaz do meu tempo", um tempo em que tinha como namorada Sylvie Vartan e arrasava musicalmente a França e a concorrência, o que, em Portugal, acompanhávamos, com algum "voyeurisme" adolescente, através da leitura da revista "Salut les Copains". 

Nunca fui um incondicional: a sua canção de que sempre mais gostei era a versão francesa do "The House of the Raising Sun", traduzida pelo "Le Pénitencier", o que não ilustra muito o meu apreço pelo “rock” à moda francesa.

Halliday foi o émulo possível de Elvis Presley, mas, contrariamente ao cantor americano, a sua carreira teve escasso impacto fora do mundo francófono, onde, contudo, era um ídolo incontestado. Alimentou sempre um estilo de "bad boy", que ia bem com o seu tom de voz e a figura de roqueiro "blouson cuir", olhar castigador e moto à ilharga. 

Um dia, creio que em 1971, andava eu à boleia por essa Europa, fiquei à porta de um concerto seu, em Bayonne ou Biarritz, à falta de bilhetes. Mas quando vivi em Paris nunca tive a nostalgia suficiente para me bater por uma entrada num espectáculo para o ouvir.

6 comentários:

Joaquim de Freitas disse...

Pena é que a imagem deste artista fora do comum, verdadeiro génio da canção, (podia-nos cantar o anuário), cujas canções também nunca apreciei, homem intelectualmente frustro tivesse sido embaciada pelo dinheiro.

Grande amigo de Giscard, Chirac e Sarkozy, escolheu Los Angeles para escapar aos impostos sobre a sua fortuna, adquirida em França,e foi tratado finalmente em França, porque, como ele disse, em Los Angeles seria um doente como os outros.

Ah a França, onde foi tratado porque o esforço de todos, daqueles que pagam os impostos, tinha criado uma escola pública gratuita, capaz de preparar cada cidadão aos estudos superiores que sabiam diplomar médicos, oncológicos e cirurgiões.

Ah a França, onde um comunista amigo de partilhar tinha inventado a Segurança Social para todos, e onde outro ministro da mesma cor tinha criado a EDF que não deixou um cantinho de França na obscuridade (nem casas, nem ruas nem hospitais).

Eu também nunca tirei 200 euros do meu bolso para ir a Bercy ouvi-lo, e não o faria enquanto vir nas ruas de Paris maltrapilhos acocorados na rua.

Vamos ver agora as matilhas de abutres e hienas do showbizz lançar-se sobre o seu espojo mortal para encher a pança Para o momento, e até nova ordem, as cadeias de televisão e rádio estão todas saturadas…E vai durar alguns dias.

Em contrapartida, vou comprar o próximo livro de Jean d’Ormesson, outro ilustre defunto, noutro registo da cultura, que tinha muito para me desagradar, aristocrata da direita e director do jornal “Le Fígaro”, de direita, que tinha boicotado Jean Ferrat, cujas canções, todas, sempre apreciei, mas que dizia de Aragon :” Um génio com dotes excepcionais, foi um mito, uma legenda, uma espécie de enigma em plena luz”

Dizia ainda: “ Admirei muito Aragon, que tinha tantos defeitos. Porque não estávamos de acordo sobre nada, foi ele que me ensinou que a literatura é mais forte que tudo. Como milhões de Franceses, soube os seus versos de cor. E do Paysan de Paris ao Louco de Elsa, passando por Hourra l’Oural que era francamente comunista, os seus livros enlouqueciam-me”

Pena é que o Paraíso não exista, porque estes dois “melros” passariam o tempo a tagarelar, sentados numa nuvem. E o mundo seria melhor. E talvez que Johnny viria cantar-lhes “O Penitencier”…

Anónimo disse...

pois, o melhor do halliday não foram os anos yé-yé mas os anos 80, nomeadamente o disco com o goldman.

Carlos Falcão disse...

Em Coimbra, com os meus 15 anos, junto de alguns colegas de turma, preparámos os exames do 5° ano, ao som, entre outros, de "Le Pénitencier" et "Be By Blum". Eram as duas faces do mesmo vinil.
Alguns anos mais tarde, ai por volta de 1990, tive a agradável surpresa de ter Johnny Hallyday como "vizinho" no balcão do bar do Hotel Holiday Inn, em Strasbourg.
Uma legenda que voa para as estrelas do Rock And Roll.
Quel bonhomme !... Merci JOHNNY

C. Falcao

Anónimo disse...


O "rock" francês... não esqueçamos que ajudou muito o movimento de Maio de 1968.
Com os espectáculos rock as classes sociais misturavam-se mais. Conheceram-se melhor porque até aí a sociedade era muito fechada e fortemente estratificada. Tinham uma necessidade de evoluir conjunta e mais apelativa.

Não sei bem se ao fim de um tempo tudo isso não passou de um movimento temporal porque a sociedade francesa continua ainda fechada nas suas capelinhas burguesas.

PSICANALISTA disse...

Joaquim de Freitas no seu melhor,com faca de dois leGUMES !??

Anónimo disse...

Acabei de gastar vinte minutos do meu tempo para apreciar esta jarra (agora partida). Meia dúzia de vídeos no Youtube e só apanhei... baladas frouxas. Para "rocker", não está mal.