A Rússia pode vir a obter uma abdicação parcial da soberania da Ucrânia (aceitação da não entrada na NATO, estatuto diferente para os territórios no Donbass, talvez um passo institucional favorável aos seus interesses na Crimeia, admissão de um período de continuidade de presença militar no país, etc).
Porém, mesmo na hipótese desse compromisso vir a ser obtido, o que representará sempre uma relativa rendição da Ucrânia, nunca conseguirá que o mundo ocidental venha a levantar a esmagadora maioria do pacote de sanções.
É que as sanções à Rússia, se foram claramente espoletadas pelo ataque à Ucrânia e para o punir, vão, de futuro, ter um outro objetivo: conseguir conter, enfraquecendo-a, a capacidade económica e estratégica de um ator político-militar que revela ser um poder que põe em risco a perspetiva ocidental da segurança europeia.