O candidato presidencial do que resta do Partido Comunista Francês, Fabien Roussel, colocou num tweet a seguinte ideia: “Um bom vinho, uma boa carne, um bom queijo: é a gastronomia francesa”. Acrescentou que “a melhor maneira de a defender é permitir aos franceses terem acesso a ela”, isto é, ganharem melhor.
Parecia uma ideia inócua: apelar a que os cidadãos pudessem usufruir de algo que é comummente tido como um património do país, nomeadamente no imaginário externo.
Pois não foi. Caiu meio mundo sobre Roussel. Apelar ao consumo de vinho, num tempo em que o álcool é diabolizado como fator de doenças? Carne, meus senhores!, agora que o mundo desliza para o veganismo? Queijo, explorando produtos leiteiros, cujo fabrico aumenta o CO2, pelo que começam a não estar na agenda do crescente higienismo?
No fundo, para essas pessoas, o que Roussel disse configura um mundo antigo, feito de estereótipos caricaturais, que cada vez menos correspondem às exigências da sustentabilidade das sociedades modernas. Será assim?
O que acabo de escrever não tem como finalidade atiçar a onda de reclamações contra algum “politicamente correto”. Já dei para esse peditório. Apenas quero dizer que, para o bem ou para o mal, há que convir que estão a criar-se, cada vez mais, dois mundos que se afastam, limitando o grau de consenso dentro das sociedades. Uns dirão que é o passado a não entender o futuro. Outros dirão que “está tudo maluco!”.
Já agora: Roussel tinha 4% de intenções de voto. As suas preferências gastronómicas vão fazer subir a sua cotação?