quarta-feira, 9 de maio de 2018

Uma oportunidade perdida


A fotografia de cima é do histórico dia de 2015 em que, depois de longos meses de negociação, foi possível garantir um acordo nuclear com o Irão. À direita dessa imagem, junto de John Kerry, está o principal negociador americano, o então responsável pela Energia no governo Obama, Ernest Moniz. 

Por coincidência, Ernest Moniz encerra hoje, em Lisboa, a conferência “Sharing the future”, em que ontem tive o gosto de fazer a alocução inaugural.

Ontem, poucos minutos depois de Trump rejeitar aquilo que a América tinha assinado, deu-se a coincidência de ter jantado ao lado de Ernest Moniz.

A certo passo da nossa conversa, perguntei-lhe quem teria sido responsável por ”convencer Trump” a rasgar o compromisso. A resposta de Moniz foi imediata: ”A responsabilidade é de Obama”. Perante a minha estupefação, esclareceu: “Trump só tem uma agenda: fazer tudo exatamente ao contrário daquilo que Obama fez. Por isso, não precisou de ser convencido por mais ninguém...”


5 comentários:

Joaquim de Freitas disse...

Os Americanos conseguiram eleger um pirómano pior, mais radical que G. W. Bush…A Coreia do Norte não sendo para o momento de actualidade, agora é o Irão, amanhã será a Venezuela, e depois se verá…

O trio infernal – USA – Israel – Arábia Saudita, esquecendo o que levou à guerra do Iraque, querem agora incendiar o Irão…

Se o ISIS ou Estado Islâmico é um dos grande flagelos do mundo árabe, na verdade é uma criação AMERICANA e SIONISTA. Nunca vimos ISIS atacar Israel. E os seus combatentes são tratados nos hospitais israelitas.

O tempo virá agora de criar uma força idêntica para atacar o Irão, do interior. E quando a reacção dos Pasdaran for da mais extrema violência, veremos de novo os medias ocidentais gritar ao socorro para levar uma ajuda aos “resistentes” do interior. E o exemplo da Síria recomeçará.Eventualmente acusando os Iranianos de utilizar armas quimicas...

O Mundo vai continuar a respirar, mal, à hora de Trump.

Anónimo disse...

O exercício do poder político é um exercício de poder e consequênte responsabilidade. Ou pessoal ou de um grupo.
O PR Obama tinha poder para, conjuntamente ou não, assinar acordos. Percebeu que não tinha poder para subscrever um Tratado na circunstância em apreço....
O PR Trump, por sua vez, tem o poder para fazer, desfazer, refazer, a seu gosto e responsabilidade, os seus acordos. Aliás, sobre este em particular, até prometeu em campanha eleitoral, des- ou re-fazê-lo, porque o achava mau para os EUA.

Posto isto as perguntas pertinentes são:
-O acordo feito por Obama, e os restantes signatários é, também, bom para os EUA?. Porquê?
-É bom Trump retirar os EUA do acordo?. Porquê?.
(Não basta comentar ou com argumentos de autoridade ou com interpretações clubísticas.)
...
Sabemos que os Países Europeus signatários têm importado crude do Irão a preços vantajosos.
Sabemos que os Países Europeus signatários vendem a sua variada tecnologia e produtos ao Irão.
Sabemos que a Boeing, dos EUA, perde vendas de aeroplanos.JS
...

Joaquim de Freitas disse...

Ao Senhor J S :


Não era de esperar outra coisa de Trump, a partir do momento em que contratou Bolton para a Casa Branca.
A presença de Bolton na administração Trump trouxe a tendência neoconservadora da guerra à política externa americana. Mas a implementação da política externa será gerida pelo próprio Trump. As posições finais do Trump são muitas vezes inesperadas até ao seu tempo de implementação.

Não creio que sejam as perdas de “bussiness” de Boeing e outros que contam no caso do Irão. Todos os argumentos de Trump para rasgar o acordo,sao falaciosos, areia nos olhos...

O facto é que, se, para garantir um segundo mandato de presidente, for preciso fazer a guerra ao Irão, Trump não hesitará.

A nomeação de Bolton , que sempre denegriu o acordo assinado por Obama, era um indicador que a escalada com o Irão, era para breve.

Bolton prometeu derrubar o regime iraniano. "Nós estaremos comemorando juntos em Teerão em 2019", disse John Bolton na cerimónia da oposição iraniana. Na altura ninguém prestou atenção ao antigo “incendiário” da ONU, este Bolton que era apenas um embaixador.

Ele é agora o homem que aconselha o Presidente dos EUA a garantir a segurança dos aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio. Bolton escreveu um artigo "Para bombardear Teerão".
Na realidade, existe agora em Washington um governo de guerra, com generais radicais e tudo o mais…

Se Trump conseguir obter grandes concessões dos norte coreanos, os mollahs terão que ser subjugados pela força. Trump quer limpar a mesa destes desafios pequenos , para ter tempo para enfrentar os desafios estratégicos mais sérios à sua hegemonia na ordem mundial, em especial a China e Rússia.

Anónimo disse...

Com a devida autorização do responsável por este blog.
"... "Nós estaremos comemorando juntos em Teerão em 2019", disse John Bolton na cerimónia da oposição iraniana.
Sr. J. de F. Concordo com o que afirma.
Só divirjo na interpretação das palavras. Porquê?. Não creio ser preciso uma "guerra". O que não quer dizer que não haja o costumeiro, pouco subtil, "empurrãozito".
Consta que o actual regime iraniano provavelmente cairá, por dentro. Afinal não se consegue empurrar o que está firmemente em chão firme.

O regimes políticos caiem. Ou, como habitualmente, por simples degenerescência da geração que ganhou o poder, ou porque o regime se afastou demasiado da vida real....
Aconteceu sofrivelmente em Portugal. Com menos armas, em Espanha, embora um tanto ou quanto anquisoladamente, constata-se, hoje.
Aconteceu, por exemplo, no Iraque, na Líbia .... Aconteceu na Síria, embora não pareça. Na verdade Assad já nem em 10% do território manda. Aconteceu, radicalmente, com a Revolução Francesa e Russa. Em Inglaterra, um Rei perdeu a cabeça mas, aparentemente, conseguiram criar um regime invejável, embora agora esteja a ser posto em causa por um abastado Lorde... :) .
Multiplicam-se na história, exemplos.
PS. Se calhar está a acontecer agora na União Europeia, e de certa forma por cá. Os regimes políticos, como os homens, vivem (ou sobrevivem) a prazo. Cordialmente,JS.

Joaquim de Freitas disse...

Grande programa, Senhor J. Santos. Porque escrever que « : « Aconteceu l. Com menos armas, em Espanha, embora um tanto ou quanto anquisoladamente, constata-se, hoje, 1 milhão de mortos para mudar de regime em Espanha, é obra… E não foi por degenerescência “ da geração que ganhou o poder,” porque a Republica vinha de ser proclamada democraticamente, nem “porque o regime se afastou demasiado da vida real....” porque nem teve tempo para se desenvolver.


“ Aconteceu, por exemplo, no Iraque, na Líbia...” escreve! Só pergunto: Se não houvesse petróleo nestes dois países acha que os dois regimes, “laicos” , teriam sido demolidos pelo Ocidente ?

E na Síria, mais um regime laico, se não existissem projectos de oleodutos do Catar e da Arábia Saudita e de terminais na costa síria, e de interesse estratégico neste projecto da parte de Israel, Assad teria sido contestado? Sobretudo, não lhe perdoaram de ser aliado dos Russos, ou o contrário.

Quanto aos 10% de território talvez fosse melhor verificar, Senhor J. Santos.

Oh, o rei inglês, o pobre Carlos 1°, perdeu a cabeça porque “os capitalistas” da época, a pequena nobreza, bem representada no parlamento, não queria que o seu rei aplicasse mais impostos sem passar pelo parlamento, que eles controlavam e que o rei combateu. Curiosamente, ao cortarem-lhe a cabeça, reforçaram o regime monárquico…

De acordo com a ultima frase sobre a vida dos homens e das suas obras: “O tempo revela todas as coisas.” Bien à vous. J. de Freitas