quinta-feira, 31 de maio de 2018

Por esse Rio abaixo

O anúncio do afastamento de Santana Lopes do apoio ao líder partidário tinha prenunciado que algo começava a gerar-se contra Rui Rio, no seio de um PSD cujo grupo parlamentar já se percebeu que ele nunca vai conseguir controlar. Depois, reemergiu Passos Coelho, com “opinião” na folha informática que, depois de alguma hesitação editorial, é hoje uma espécie de “Povo Livre” do passismo. Abreu Amorim, com a habitual subtileza, deixou nas redes sociais uma nota clara do que aí vinha. Fechou o círculo Luís Montenegro, com o mais violento ataque ao líder desde o congresso. O pretexto imediato, frouxo, foi o voto sobre a eutanásia.

Rui Rio, nos seus 100 dias como presidente do PSD, parece estar já debaixo de fogo cruzado. Os motores podem estar a começar a aquecer para tentar criar uma onda de fundo para a sua substituição até ao fim do ano. A mensagem dos críticos, para dentro do partido, é simples: Rio “não vai lá!”, é uma muleta de António Costa, não tem estratégia, o grupo parlamentar é vítima dessa desorientação. Com ele, a derrota em 2019, além de certa, será estrondosa, dizem. O “pote” fica mais longe, para citar um conhecido “clássico”.

A rotura, como é óbvio, terá de de se produzir antes das eleições europeias e legislativas de 2019. Porquê? Porque, sendo óbvio que o PSD vai perder ambos os sufrágios, se acaso Rio sobrevivesse politicamente até lá, as listas para Estrasburgo e para Assembleia da República seriam feitas por ele. Isso significaria que os seus adversários perderiam, com toda a certeza, o acesso ou a manutenção nesses palcos políticos e que, mesmo que Rio viesse a ser substituído no pós-eleições, quem lhe sucedesse viria a ficar com grupos parlamentares hostis... como hoje acontece ao próprio Rio.

É assim importante, para os “passistas”, conseguir remover Rio nos próximos meses. O grupo parlamentar é a sede central da manobra, alguma imprensa está a pôr-se a jeito e a fazer o frete. 

Para seguir as cenas dos próximos episódios é preciso estar atento a outros atores que devem estar prestes a assomar à boca de cena. Nada garante que a “peça” seja um sucesso, mas o “script” parece já estar escrito.

3 comentários:

Anónimo disse...

Sim. Adivinha-se um Norte vs Sul muito mais interessante que os do futebol.

As presentes elites internas -as instaladas- do PSD utilizarão todos os truques da cartilha política para conseguirem um dramático desiderato: não permitir que este Rui atravesse -para Sul- o Rubicon, com as suas hostes.

O Norte, em eleições internas no PSD, já foi devidamente mobilizado.
O Norte, em eleições para o P. Europeu ou em eleições para a A. República, será facilmente mobilizado.

Resultado?. Quem vencerá?. A dispersa, entre PS e PSD, Capital, Lisboa, ou a óbvia união nortenha?.
O que mostram os mapas eleitorais?. Mais uma vez um sistema eleitoral radical, fracciona. Ou Norte, ou Sul. Ou esquerda ou direita. Quem não é por nós é contra nós.
Não há políticos, indivíduos, de melhor ou de pior tempera, repersentando e a negociar. Existem apenas as respectivas hostes partidárias.
Entretanto, já se viu, Rui Rio não é Passos Coelho. O PCP, um certo Sul, já sabia. A. Costa já anda preocupado.
JS

Anónimo disse...

a facilidade com que usa a palavra "óbvio" é desarmante! Era óbvio que Costa teria uma votação arrasante face a Seguro; era óbvio, e todas as sondagens o atestavam, que o PS ganharia (talvez com a maioria absoluta) contra o malandro do Passos. E agora é óbvio que a "austeridade" acabou e era possível ter uma política muito diferente. Enfim convém reconhecer que os factos não ajudam ao óbvio. Pelo menos até agora.
João Vieira

(hoje há uma notícia de que talvez haja serviços hospitalares que tenham que fechar por causa dos horários de 35 horas: era óbvio que se poderia reverter sem causar qualquer inconveniente, era só pôr as vacas a voar!)

Anónimo disse...

Sr. Embaixador,
Acredita mesmo que alguém liga ao que se passa a nível político no nosso País?
As pessoas querem é que não lhes vão ao bolso. O que se passa no seio dos partidos ou na Assembleia da República só tira o sono a nano-conjunto de personagens.