As prioridades mediáticas, entre a Coreia e a Itália, fizeram esquecer que, nas últimas semanas, Assad reforçou o seu poder na Síria, que os russos estão a tentar um “modus vivendi” dele com Israel e que a Jordânia já quer reabrir a fronteira.
Até Trump parece ter desistido do “regime change” em Damasco, que, a bem dizer, nunca foi um verdadeiro objetivo central de muitos poderes ocidentais. A começar por Israel, que conseguiu coexistir com o Assad pai e a quem uma vizinhança de regimes autoritários, mas estáveis, sempre conveio.
Se o Irão conseguir equilibrar as ambições que projeta através do Hezzbolah, se a Turquia se sentir confortada e aceite na zona síria que hoje controla e se se souber conter perante os aliados curdos dos EUA, o futuro imediato de Assad poderá vir a ser menos turbulento. Mas os “se”, no Médio Oriente, são como o “diabo” nos pormenores.
Por cá, a vitória de Assad é um regalo para os anti-americanos da paróquia, os mesmos que o apoiam como antes apoiavam Milosevic. Eles estarão sempre ao lado de qualquer regime que desafie Washington, do de Putin ao norte-coreano ou dos clérigos iranianos. E com Trump a fazer piorar ao limite a imagem americana, o seu ódio à América (onde, aliás, adoram passar férias) sente-se hoje confortado.
Esses viúvos não assumidos da União Soviética, com um ”penchant” nostálgico para ditadores ou para autoritarismos, desde que anti-ocidentais, são uma raça velha em extinção. Uma espécie de lince da Malcata, só que sem futuro. Ah! E acham-se de esquerda, o que é o cúmulo das ironias.