sexta-feira, 4 de maio de 2018

Dhlakama


Morreu Afonso Dhlakama, líder da Renamo. Nunca consegui ter uma opinião definitiva sobre se o essencial das suas reivindicações políticas face ao governo da Frelimo tinha alguma real legitimidade ou se apenas decorria de uma atitude de não aceitação do resultado do escrutínio democrático e do desejo de ver consagrada, “de facto”, uma espécie de balcanização de Moçambique.

Dhlakama parecia ser uma figura humana curiosa, a acreditar em vários testemunhos. Jaime Nogueira Pinto, no seu livro “Jogos Africanos”, dedica-lhe alguns comentários interessantes, que ajudam a definir a sua personalidade e até a sua “aprendizagem” ao mundo político, tutelada por amigos e parceiros (alguns bem estranhos) estrangeiros. Mas, ao escrever o que então escreveu (livro que recordo bem, porque vim propositadamente de Brasília a Lisboa para o apresentar), Nogueira Pinto não pôde deixar de ter em atenção de Dhlakama estava ainda no “ativo”, pelo que não deixou por escrito alguns outros pormenores interessantes sobre aquela figura, que agora pode vir a ser tentado a revelar. Ou talvez não, porque a morte “santifica” os amigos.

Dhlakama foi, durante muito tempo, uma personalidade quase mítica, sobre a qual pouco se sabia. Um dia de 1992 ou 1993, o nosso embaixador em Nairobi, Paulo Barbosa, foi autorizado a ter um encontro com Dhlakama. O diplomata mandou depois, por DHL, através de Londres, um “apontamento de conversa” em que estabelecia um interessante perfil do lider rebelde. Recebi esse texto em Londres, onde estava nessa altura, e reencaminhei-o para Lisboa. Ainda me lembro bem da leitura que o meu colega (que infelizmente já morreu há alguns anos) fazia dos traços de personalidade do político (aparentemente “naïf) que titulava a guerrilha contra a Frelimo. 

Tudo se tornará mais calmo em Moçambique após a morte de Dhlakama? Não sei. Em Angola, a morte de Jonas Savimbi abriu caminho à pacificação do país, mas cada caso é um caso.

2 comentários:

Luís Lavoura disse...

Como se lê "Dhlakama"?

Anónimo disse...

Boa noite
Acerca do assunto gostaria de ouvir a sua opinião mais aprofundada
Cumprimentos