terça-feira, 3 de outubro de 2017

Ter opinião

Durante mais de uma hora, estive hoje na Comissão Parlamentar que, nomeadamente, se ocupa das questões da Comunicação Social. Este era o último passo antes de ingressar no Conselho Geral Independente (CGI) da RTP.

Relembro que compete ao CGI nomear e exonerar a administração da empresa e, em termos gerais, velar pelo cumprimento do serviço público de televisão e radiodifusão.

Apresentei a minha leitura dos principais desafios que, na perspetiva de quem ainda não assumiu funções, a empresa enfrenta, destacando várias dimensões que entendo prioritárias do respetivo serviço público, dando especial ênfase às questões que se prendem com os canais internacional e para a África, da RTP e da RDP. Sublinhei, neste contexto, a importância que atribuo à radio pública e à sua missão à escala global.

Falei igualmente da necessidade da RTP se posicionar perante as novas plataformas tecnológicas de informação, do binómio exigências do serviço público/audiências, dos desafios provocados pela evolução do perfil etário dos atuais telespetadores, dos equilíbros no triângulo informação / cultura / entretenimento, dos interesses das comunidades portuguesas e do mundo da língua portuguesa em geral, da especifidade da dimensão regional, da abertura da RTP à sociedade civil organizada, da importância do serviço público de televisão e rádio na atenção às minorias e às comunidades estrangeiras residentes em Portugal, bem como à generalidade das culturas que se exprimem em português. A questão da valorização e formação dos quadros da RTP/RDP foi também abordada.

Durante o construtivo diálogo que mantive com os diversos representantes partidários na Comissão, tive ocasião de esclarecer sobre o que entendo ser a completa irrelevância das minhas atividades profissionais atuais relativamente às funções no CGI. Expliquei ainda que, aquando da minha audição na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), tinha deixado bem claro que a aceitação do convite que me fora feito para integrar o CGI - no pressuposto de, com isso, não ter direito a qualquer remuneração -, tinha também implícita a minha indisponibilidade para cessar a colaboração que atualmente mantenho em alguns órgãos de comunicação social, ou mesmo a atividade que desenvolvo nestas redes sociais. Essa fora, aliás, a única questão suscitada perante mim pela ERC. Não prescindia, em absoluto, do direito a ter uma opinião e dela dar conta pública, quando e da forma como o entendesse.

5 comentários:

Anónimo disse...

Ter opinião é definitivamente o que Maria Joao Avilez tem sobre Passos Coelho. Não é bem um opinião é mais uma hagiografia. Claro que o facto de Passos Coelho mentir descaradamente pode e deve ser desculpado a beneficio de inventario...
Avilez escreve bem, embora num registo entre a celestina e o convento das carmelitas de pé descalço.

Anónimo disse...

Felizmente, para si, não existe nenhuma constituição a impedi-lo de ter e expressar uma opinião. Que bom que é ser português, não é?

Mas faz bem em lutar pelo seu direito. Mesmo que haja quem ache que não o tem e que é contrário à boa prática, faz muito bem em bater o pé e dizer, eu quero, eu posso, eu devo. E sabe bem, não sabe? De peito feito contra as injustiças feitas ou a caminho. Ah... a liberdade!

Esses ossos, inteirinhos, essa honra, intacta. Seu... rebelde!

Luís Lavoura disse...

a necessidade da RTP se posicionar perante as novas plataformas tecnológicas

Há cinco anos foi introduzida a televisão digital em Portugal e ainda hoje ela tem falhas repetitivas na minha aldeia, na zona da Bairrada (uma zona de grande densidade populacional, a meio caminho entre Coimbra e Aveiro).

Enquanto não conseguirem pôr a televisão digital a funcionar decentemente, nem vale a pena falarem de outras plataformas!

Anónimo disse...

Vá em frente. A geringonça, mesmo com vitória autarquica do PS não vai resolver o endividamento do Estado e as cinzas que espalham pelo interior.

Se for eleito a muleta do PS (Rui Rio) com PSD a olhar para o lado com os afetos a distribuir beijos a contar com mais cinco anos.

Portugal vive o dia-a-dia, enquanto existir dinheiro na mão (estrangeiro) até a torneira começar a pingar , nessa altura já os bobos deram o fora, já de papo cheio de massa.

Isabel Seixas disse...

Faz muito bem a meu ver.