Fazer jornalismo nada tem a ver com mandar “bitaites” sobre quem tem razão. Isso é matéria para os comentadores, que muitas vezes tomam partido - há, no tema da Catalunha, os que acham totalmente irresponsáveis os dirigentes catalães ou os que entendem como quase criminosa a intransigência de Madrid. Mas isso nada tem a ver com jornalismo. É pura matéria de opinião.
O jornalismo não tem de dizer quem tem razão, compete-lhe informar, com rigor e neutralidade, sobre as razões em que cada lado fundamenta a sua posição, bem como analisar, com serenidade, as eventuais consequências práticas dessas mesmas atitudes. Ao jornalismo compete explicar as coisas, deixando o leitor ou espetador com os elementos que lhe permitam formular o seu juízo, não se substituindo ao raciocínio do recetor da mensagem.
Esperemos que o excelente jornalismo dedicado às relações internacionais que existe entre nós não se sinta tentado a seguiu o triste caminho do já quase desaparecido jornalismo económico, cujo atual curso para a ruína em muito se ficou a dever ao facto da grande maioria dos jornalistas ter passado (pouco subtilmente) a comentador, achando-se no direito de tomar partido (quase sempre para o mesmo lado, aliás) e passando o tempo a “dizer o que pensa”, em lugar de modestamente explicar as questões de forma independente e neutral.
A opinião disfarçada de jornalismo é uma imensa fraude.