sexta-feira, 27 de outubro de 2017

O jornalismo, a opinião e a fraude


A questão da Catalunha é um bom ensejo para revisitar a questão do jornalismo e da opinião.

Fazer jornalismo nada tem a ver com mandar “bitaites” sobre quem tem razão. Isso é matéria para os comentadores, que muitas vezes tomam partido - há, no tema da Catalunha, os que acham totalmente irresponsáveis os dirigentes catalães ou os que entendem como quase criminosa a intransigência de Madrid. Mas isso nada tem a ver com jornalismo. É pura matéria de opinião.

O jornalismo não tem de dizer quem tem razão, compete-lhe informar, com rigor e neutralidade, sobre as razões em que cada lado fundamenta a sua posição, bem como analisar, com serenidade, as eventuais consequências práticas dessas mesmas atitudes. Ao jornalismo compete explicar as coisas, deixando o leitor ou espetador com os elementos que lhe permitam formular o seu juízo, não se substituindo ao raciocínio do recetor da mensagem.

Esperemos que o excelente jornalismo dedicado às relações internacionais que existe entre nós não se sinta tentado a seguiu o triste caminho do já quase desaparecido jornalismo económico, cujo atual curso para a ruína em muito se ficou a dever ao facto da grande maioria dos jornalistas ter passado (pouco subtilmente) a comentador, achando-se no direito de tomar partido (quase sempre para o mesmo lado, aliás) e passando o tempo a “dizer o que pensa”, em lugar de modestamente explicar as questões de forma independente e neutral.

A opinião disfarçada de jornalismo é uma imensa fraude.

11 comentários:

Anónimo disse...

Estará certamente a pensar no Observador, de cujos cronistas, o único que ainda não cascou na Catalunha foi o padre. Todos os outros já receberam ordem de tiro à peça. Ontem, tínhamos um mapa para nos mostrar todas as possíveis independências na Europa (por arrasto da catalã). Fiquei surpreendido por não terem lá posto a Damaia...

No Público, também há dois ou três que vivem para ver defeitos em tudo o que os catalães fazem e, se formos para o DN, temos lá o seu amigo FF que sonha em por os catalães vestidos de sevilhana. Como se isso não bastasse, "contrataram", agora um rapaz luso-espanhol com a única função de - já adivinhou -, cascar nos catalães.

Sim, os nossos jornalistas estão a fazer um serviço intenso pelo lado espanhol da questão mas... só quem viva na Lua é que ainda não se apercebeu da estrutura acionista dos nossos jornais. A nossa comunicação social está cheia de "amigos da Espanha" mascarados de "legalistas"...

E já nem falo das "parcerias" com o El Pais.

Anónimo disse...

Pior mesmo só quando à fraude se junta a burrice (normalmente a cavalo de um laço). Dá-lhe, Helena! Para bom entendedor ...

MJ

Anónimo disse...

Já o disse aqui, há poucos dias:
Estamos numa conjuntura em que teremos de ser os próprios a fazer a triagem dos jornais que frequentamos ou não.
Mesmo os jornais que podem não ser frequentáveis, devem ser lidos se quisermos, fazendo-lhes a análise de texto necessária.
Porque a verdade está a ficar cada dia mais filha do tempo.

Quem o não faça não sabe ler como deve ser.

Joaquim de Freitas disse...

Razão tem o anónimo das 17:06 quando escreve : « só quem viva na Lua é que ainda não se apercebeu da estrutura accionista dos nossos jornais. ».

Os media desta EU que transpira por todos os poros para conservar a sua identidade, as instituições e os 28, trabalham em uníssono no combate a todo desvio do monolitismo do edifício… Mesmo se por imposição de uns e conveniência de outros, outras independências foram rapidamente aceites pelos “mandatários” da Europa.

Quem se esqueceu da “urgência” com a qual se concedeu a independência e a entrada na Europa à Eslovénia, aos países baltas, ao Kosovo, (este sem entrar na EU), …

O “establishement” europeu não reconhece as nações. Só conhece os Estados, o que, aliás, me surpreende bastante porque na realidade, quanto mais pequenos forem os Estados, as multinacionais, com PIB’s superiores a muitos destes Estados, estariam mais à vontade para os submeter às suas condições.

Madrid pode contar com os jornalistas assalariados dos tubarões da finança, que os alimentam

Anónimo disse...

Alguém nos "media" portugueses contou as histórias dos polícias espanhóis detidos por andarem, à noite, a trepar às varandas para arrancarem bandeiras catalãs?

E a dos polícias espanhóis, bêbedos, que andavam pela zona do Born, exigindo às pessoas que falassem castelhano porque "a Catalunha é da Espanha" (uma frase repetida insistentemente pelos espanholistas)?

Anónimo disse...

O Freitas deu-me razão mas, depois, enganou-se. A Eslovénia (e os países bálticos) viram os seus processos desencorajados pelo Ocidente. E esperaram um bom bocado pelo reconhecimento. Talvez ele estivesse a pensar no que a Alemanha fez com a Croácia...

Mas o problema com os jornais é a penetração do capital espanhol. Anda tudo muito preocupado com os angolanos mas estes apenas querem que os nossos jornais não olhem para a corrupção em África. O plano dos espanhóis é outro: é criar, sistematicamente, maneiras de, insidiosamente, promoverem os seus interesses, quer através do ataque em bloco a quem os ponha em causa (veja-se a nojenta campanha anti-catalã do Observador e de várias personagens no DN), quer através da publicação de notícias feitas em Espanha (não há jornalismo português sobre a ETA, por exemplo), quer, finalmente, criando campanhas de despromoção do nosso orgulho (as "sondagens" que aparecem vindas de não se sabe onde e que apontam para o iberismo dos portugueses; as campanhas de elogio dos menores preços dos combustíveis, etc. - tudo funciona por períodos)

Entretanto, ficou-se a saber qual foi o preço pago pela Espanha pelo apoio francês:
http://www.elnacional.cat/es/politica/espana-concesion-francia-155-le-point_206580_102.html

Nada de novo, isto, porque também se sabe que a França apenas começou a apanhar os tipos da ETA quando a Espanha lhe fez uma grande encomenda de material militar (nomeadamente carros blindados). Ah, a França das liberdades!

Anónimo disse...

Sr.Freitas:

Já sabe o que vai vestir neste Halloween?

Ponha de lado os disfarces e arrase na festa de Halloween com as tendências catalãs.

Joaquim de Freitas disse...

Ao anónimo do 28 de Outubro de 2017 às 22:50
Sabe, o problema catalão deixa-me perplexo, porque se compreendo que este povo não quer continuar a pagar 50% da riqueza que produzem para o desenvolvimento da Andaluzia e da Estremadura, (como os Milaneses e os Venezianos não querem pagar para os Calabreses e Sicilianos, porque, para baixo de Roma não se trabalha, como dizem), acho também que a solidariedade entre os povos também se impõe.

Mas a repressão franquista deixou feridas profundas. E as violências dos Castelhanos só farão piorar a situação. E risca de continuar até ao dia em que a independência será realmente obtida.

Reflectindo um pouco, diria que os Catalães não escolheram a boa época para arrancar um pedaço do reino de Castela.

Os Portugueses, tiveram mais sorte. O meu conterrâneo de Guimarães, o Dom. Afonso, quando ousou arrancar o seu reino ao Avô, ao preço duma batalha nos Campos de São Mamede contra s hostes do Avô, e da Mãe, que meteu na cadeia, e obrigando o seu Aio, Egas Moniz a ir de corda ao pescoço, com a família, à corte do rei de Leão para resgatar a sua palavra, teve um aliado de peso na sua declaração unilateral de independência.

Este aliado foi a ONU, que nesse tempo se chamava o papa Alexandre III, que, em 1179, em São João de Latrão, pela famosa bula, lhe concedeu o título de rei e a independência do seu reino de Portugal.

O papa hoje não pesa nada, as suas divisões , as que faziam rir Estaline, estão dispersas, e as únicas que contam na Europa são as da NATO, cujo chefe se encontra em Washington.

Imaginemos que a Catalunha se situasse nos Balcãs! Como o Kosovo! Ou na Ucrânia, às portas da Rússia! O papa louco de Washington reconheceria de imediato a independência da Catalunha.

Quando o interesse dos povos não coincide com a geo estratégia dos poderosos, os problemas são mais complicados.

Joaquim de Freitas disse...

Ainda sobre o tema do "post" e a propósito de jornalismo. Um caso típico do jornalismo ao serviço dos poderosos.

O « artista » que na boa tradição franquista quer pôr de rastos a Catalunha, Galego como o Francisco Franco, tem argumentos sólidos para levar a cabo a sua tarefa.

Claro que me preocupa o futuro dos liders catalães, agora que a Catalunha fica sob controlo da Guardia Civil. O Chefe dos “Mossos de Esquadra” foi destituído. Os Catalães ficam sob o olho de Madrid.

Este Rajoy é o mesmo que no dia 12 de Julho ultimo, chamou ao telefone o “Prisioneiro Politico” emblemático da Venezuela, o dirigente da V.P (Vontade popular), Leopoldo Lopez, que não foi condenando por Maduro pelas suas “opiniões”, mas por ter organizado uma vaga de violência destinada a derrubar o chefe do Estado, Nicolas Maduro.

“La Salida” ( A Saída), que, em 2014 causou 43 mortos e mais de 800 feridos.

Primeiro Ministro do Governo espanhol e membro da nobre “comunidade internacional” que, de Donald Trump ao jovem Emmanuel Macron, tratam a Venezuela de Ditadura, Mariano Rajoy chamou Lopez ao telefone e “felicitou-o pela sua coragem” antes de exigir mais uma vez, a sua libertação “total”, embora o Lopez efectue agora o seu período de detenção no seu domicilio…

Este Rajoy, é o mesmo que em 16 de Outubro passado, pôs em exame por “sedição” e colocou em prisão preventiva, os dois dirigentes catalães Jordi Sanchez , presidente da Assembleia Nacional Catalã, e Jordi Cuixart ( Omnium cultural).
Estes dois dirigentes foram acusados de dirigir os incidentes do 20 de Setembro, sem que esta tenha provocado nenhuma morte.
A EU contentou-se de criticas discretas à Rajoy. Claro que a Comissão Europeia estava ocupada na preparação das sanções económicas contra a Venezuela…

Mas onde se constata a “qualidade” do jornalismo ocidental é quando nos apercebemos que houve eleições regionais na Venezuela há duas semanas. Não se ouviu falar muito disso, pela razão muito simples que Maduro ganhou estas eleições…

18 Milhões de Venezuelanos votaram, dando a vitória em 18 Estados sobre 23 ao PSUV (Partido Socialista Venezuelano), que obteve 64% dos votos.

Mesmo o Estado-chave de Miranda, que inclui uma parte de Caracas, dirigido pelo multimilionário Caprilles Radonsky, viu triunfar um jovem bolivariano, Hector Rodriguez.

Este Caprilles, foi aquele que foi a Washington pedir a Trump uma intervenção militar na Venezuela para se opor à eleição Constituinte.

A obra de formatação da opinião ocidental é tal, que ninguém ouviu falar destas eleições. A Venezuela foi esquecida. Sim, sabemos que Trump, incapaz de obter o resultado que esperava da parte dos seus esbirros do interior, decidiu de meter a; pressão do exterior, decidindo mais sanções económicas.

Anónimo disse...

Sr. Embaixador, permita-me que por este meio venha apelar aos seus bons ofícios e contactos diplomáticos.

Que faça chegar aos ouvidos do jóvem Rei da nossa vizinha Espanha, uma mensagem, que, esperamos, não seja sequer em primeira mão.

O Rei tem o Poder Real de Perdoar.
O Rei constitucional cumpre a Constituição. Mas tem que estar acima dela no respeita à Paz e à concórdia no seu Reino.

Obviamente o Poder de um Rei, o Perdão Real, está acima do poder Judicial, quando a Lei corrente e um Executivo manietado, se mostrem incapaz de promover a Paz e a concórdia no Reino.

Sem me alongar. Tanto ele, o Rei, como os seus subditos espanhois, como todos os cidadãos da Europa e do mundo, desejam a melhor solução para o caso Catalunha.

Um Perdão Real permitiria que a consulta popular, do dia 21 de Dezembro, se realiza-se com todos os candidatos em igualdade de cidadania. É assim que deve ser.

Provavelmente ajudaria a repor de imediato a Lei e a Ordem na Nação Catalã. JS

Joaquim de Freitas disse...

AO anonimo de 31 de outubro de 2017 às 12:24 :



Um rei por quem ninguém votou tem necessidade de assentar a sua autoridade sobre qualquer coisa mais que o simples facto de ser um Bourbon, filho do seu pai, e herdeiro no XX°I século dum “job” estável na politica, graças, devemos dizê-lo ao golpe de Estado de 1936.

O problema dos reis é que acabam por crer que são reis. E esquecem que as pessoas não podem aceitar um reino que se compreendem que serve para qualquer coisa.

O Senhor Santos tem razão: Felipe VI , em 3 de Outubro, perdeu a ocasião de fazer valer o artigo 56 da Constituição que diz: - “ O Rei é o Chefe de Estado, símbolo da sua unidade e a sua permanência; arbitra e modera o funcionamento regular das sua Instituições”.

Em vez disso, Felipe VI decidiu de se lançar nos braços do partido mais corrupto da Europa e verdadeiro responsável do caos actual. , o PP- 8% dos votos na Catalunha e decidiu de transformar este fracasso numa ocasião de levantar os Espanhóis contra Espanhóis. Rajoy multiplicou o numero de independentistas. Não devia ser acusado de traição contra a pátria?