segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Incêndios


Atravessei ontem parte do país, nas piores horas dos fogos. Cruzei-me, ao longo de autoestradas e de estradas secundárias que por vezes fui forçado a seguir em alternativa, com dezenas de fogos, que se sucediam num ritmo incrível e quase surreal. Senti o clima sem pinga de humidade, o vento forte que fazia aproximar as chamas da estrada, mudando de sentido de quando em quando.

O ordenamento das matas é o que é, os meios de combate disponíveis são finitos, a conjuntura climatérica que vivemos é de uma reconhecida excecionalidade. Nenhum país do mundo está preparado para ocorrências destas dimensões. Como se vê, aqui ao lado, em Espanha.

Percebo a tentação para fulanizar politicamente as culpas, mas entendo que se trata de um ato de despero sem sentido tentar encontrar culpados fáceis naquilo que a natureza nos impõe, por estes dias, como quase inevitável.

35 comentários:

Anónimo disse...

Falhou tb a informação, com o grosso dos canais televisivos a não darem informação útil: quando se sai, por onde se sai, será preciso sair. Isso não lhes ocorre.

Anónimo disse...

Os médicos dizem que quando um doente se salva, os familiares comentam que foi por graça de Deus.
Quando morre, afirmam que o médico não fez o que devia.
Como o “doente” morreu sem que o “médico” tivesse feito o que devia, longe disso, então é que nunca dirão que Deus assim o quis… como agora querem que se pense…

As bombinhas da Catrina disse...

Tenham pena da ministra que não tem culpa de pertencer a um governo que nem quer aparecer nem ser chamado para tomar grandes decisões.

Aqueles ermos do interior dão poucos votos, querem lá saber daqueles desertos.

O que dá são as grandes cidades e a função pública.

A ministra devia sair e nem querer ver os colegas dela, que a abandonaram a mando do Costa.

É desumano abandonar uma ministra sem meios nem autoridade para tomar as rédeas desta autêntica e desconjuntada geringonça.

Anónimo disse...

A táctica da incompetência do PS:

Passar entre os pingos da chuva que por não cair, "não passa entre os pingos de chuva".

Anónimo disse...

Causa-me enorme perplexidade constactar a frequência com que o nosso Caro Embaixador invoca a "natureza" como parte da explicação deste problema. É que a natureza continua a ser o que sempre foi: mediterrânica, i.é, moldada pelo fogo e atreita a ele. Portanto a explicação tem de se procurar noutro lado. E a solução terá de procurar outras vias que não tenham como única premissa a ideia peregrina de que é possível viver sem fogos.

MRocha

Anónimo disse...

Bullshit

Anónimo disse...

Os políticos que não respeitam a vida e desonram a morte não têm condições para ser lideres.





Joaquim de Freitas disse...

Faço votos para que depois de tanto calor e sol, a terra queimada e seca, não venham trombas de água de chuvas torrenciais, que tudo levariam em enxurradas monumentais …. Como de costume ! Os governantes serão de novo acusados, porque sabe-se bem que os elementos da natureza são previsíveis incluindo os tremores de terra!

Quanto à manutenção das matas e à programação das plantações, é claro que desde o XIV século, e mesmo antes, a plantação do pinhal de Leiria, entre outros, para obter a madeira para a construção das caravelas, devia ter sido melhor planeada e situada longe das habitações.

Os governos da esquerda portugueses, são como os da esquerda do Estado, e federais, que não conseguem, desde há anos, evitar os terríveis incêndios da Califórnia, e do Colorado, (eu vi os estragos em Yellowstone), que arde todos os anos,

Sem duvida a incúria de uns, os actos criminosos de alguns e a incompetência de outros, não ajudam as autoridades que, este ano, particularmente, estão ultrapassadas por essa madrasta que degela os pólos e os glaciares (se vissem o Monte Branco, como o vejo de minha casa, quase sem chapéu branco,) , e as minhas montanhas de 3 000 metros, em frente da janela, sem um floco de neve, como nunca vi em 60 anos !), envia calor de verão no Outono, sopra em furacões furiosos, que desvia da rota habitual para as costas europeias e, sabe-se lá porquê, não faz atenção às maiorias políticas e agita a geringonça como um papagaio.

Mas em política é por vezes o vale tudo! Faz-me pensar em Trump, que brincava com os 16 mortos de Porto Rico, porque, disse ele, o furacão Katrina tinha sido mais eficaz: 1 200 mortos em Nova Orleães. Como se uns ressuscitasse os outros…

Anónimo disse...

So ha pouco vim ao seu blogg. As 7 da manha vi as noticias on line e davam cinco mortos nos fogos durante o dia de ontem. Depois de almoco, alertada por familiars verifiquei que o numero passava os 30. Sem querer valorizar numeros, estatisticas e realmente uma situacao terrivel, e neste momento mais que culpabilizar ha que estar de imediato solidario com as vitimas.

Entretanto tinha ouvido noticias nos canais Britanicos e muito pouco diziam sobre o assunto. "Fog in Channel - Continent Cut Off"....Nao ha paciencia.

Regresse a casa sao e salvo.

Saudades

F, Crabtree

Helena Sacadura Cabral disse...

Francisco, caro Embaixador
Não se trata de fulanizar. Trata-se de uma questão de dignidade. O povo diz, sabiamente que "quem não tem competência, não se estabelece".
Se o Francisco estivesse na situação da Ministra, ainda lá estava? Não acredito.
E pelas razões apontadas pela Ministra? Muito menos!

Anónimo disse...

O Engraçado é que isto acontece, sobretudo em Portugal e, agora, na Galiza (dizem os vizinhos que o fogo partiu daqui). A ser assim, eu cá punha o SIS a investigar este fenómeno...

Carlos Fonseca disse...

Sei, de fonte segura, que a Sra. Ministra da Administração Interna vai apresentar amanhã o pedido de demissão, irrevogável.

Anónimo disse...

.. Os portugueses têm o PM e a MAI que merecem.....

Pedro Vendas disse...

"Esta rua tem um buraco!". "Filipinho", pergunta a Mafalda, "qual é o sujeito da frase?". Responde o Filipinho, "Presidente da Camara". Digo eu, Filipinho, que estás enganado, é a natureza, a chuva, ou se calhar, para alguns, Deus. Mas o "Presidente da Camara", não, o chefe não, de maneira alguma. Filipinho, sê resiliente, trabalha na auto proteção.

Reaça disse...

Costa e o ajuntamento dos ministros para Sábado.
Sábado? E daqui até lá, os ministros conseguem dormir descansados?
Cambada!
M as que vazio, que inutilidade, que insensibilidade...total irresponsabilidade!

Anónimo disse...

Atravessei ontem o país, desde a fronteira de Chaves até à zona centro. Vi fumo e fogo em quase todo o trajecto. Vi a GNR cortar as estradas e autoestradas. Vi alguns bombeiros, mas o que não vi foram meios aéreos. Recordo que o anterior Governo tinha deixado um concurso preparado para adquirir dois Canadair, que foi anulado de imediato pelo actual Governo, alegando que esses aviões estavam ultrapassados. Se tivessem sido comprados e entregues à Força Aérea, que é quem deve ter o controle dos meios aéreos de combate a incêndios, poderíamos evitar muita da desgraça de ontem.

Tivemos mais quase quatro dezenas de mortos e mais uma vez se fala e se tenta passar culpas. Assumam as suas responsabilidades, nomeadamente a titular da Administração Interna, que se tivesse um pingo de vergonha já se devia ter demitido.

Anónimo disse...

Exma. Senhora Helena Sacadura Cabral,

Quando o Primeiro Ministro entender, a Ministra sai.
Mas, acha mesmo, que, perante estas condições climatéricas adversas e, mais uns quantos criminosos, a prioridade é essa?
Outro no seu lugar faria diferente? Como?

O que me interessa são as vitimas, mortos e feridos, e o meu país a arder!

Alguma sugestão? Demitem-se todos? Pois...

Que comece a chover, já.

Maria

Anónimo disse...

O MST resolve o problema acabando com os funcionarios publicos. O MM entende que a regionalização vai ainda desertificar mais o interior e que a centralização no presidente da câmara ouvindo os (apenas) é a solução. Ele "conhece" muitos. O AV também resolve o assunto com o presidente da câmara que vai multar quem não pudar as árvores. O FL resolve o assunto com um superministério omnisciente.
Juntando a esperança do JF que não vai haver mais desgraças, querem mais soluções?
O AC só tem que se sentar no sofá a ouvir estas criaturas e deixar lá os conselhos de ministros!

arber disse...

Francamente, isto é uma tristeza, é uma vergonha!

Hoje foi para mim um dia triste pelo que aconteceu ontem e continuou hoje.

E foi triste também por ter lido e ouvido tudo e mais alguma coisa sobre as responsabilidades da ministra e do primeiro-ministro e nem uma única simples referência à responsabilidade dos criminosos que atearam 526 incêndios ontem e mais de 100 hoje.

Tristeza e vergonha das miseráveis mentes das gentes deste miserável país!
Tristeza e Vergonha!

Anónimo disse...

Não há dúvida, os criminosos são as pessoas com mais responsabilidades neste país...

Anónimo disse...


Sim parece que a policia desapareceu deste país:(((
tamanhos atos criminosos não são investigados, os assassinos não têm rostos nem se preocupam com eles podem andar a vontade,
culpa se o tempo, os pastores, quem la vive porque e velho, quem la não vive porque é jovem, quem apaga os fogos, quem não ajuda, quem so tem mangueiras, quem chega porque atrapalha, quem não aparece porque foi viajar....

Helena Sacadura Cabral disse...

Permita-me, Francisco que responda a Maria com uma pequena noticia

"Milhares de pessoas manifestaram-se ontem em várias cidades da Galiza reclamando a demissão da junta governativa na sequência dos dramáticos incêndios que provocaram a morte de quatro pessoas naquela região autónoma de Espanha."

Nós, só neste fim de semana tivemos 35 mortos, 7 desaparecidos e 56 feridos. Mas a Ministra mantém-se e tem a infelicidade de referir que nem sequer fez férias...

Reaça disse...

Os eucaliptos (intensivo)são uma abrilada pura, para fazer papel higiénico que se vende a países e à função pública que o podem pagar.

Os montes e vales não ardiam quando se cultivava apenas "ROSAS, PÃO E VINHO".

Vou a Santa Comba em romaria.

Anónimo disse...

Ora, Helena Sacadura Cabral, e quantos se manifestaram na Galiza quando foi o desastre do Prestige? Eis Rajoy, primeiro ministro e a perseguir os catalães.

Mania das superioridades morais dos outros...

Anónimo disse...

Cara Senhora,

Sou mesmo Maria, somos muitas em Portugal!

E ainda bem, que, choveu, devagarinho...

Também tenho terraços, que, mantenho limpos, para não prejudicar outros e a minha própria casa.

Se, por qualquer causa natural ou outra, houver destruição e mortes, a quem devo exigir a demissão? Partindo da premissa, que, sobrevivo.

Que fique claro, não conheço a Ministra, mas, não consigo acusar alguém, que, não é responsável por condições atmosféricas excecionais e outras.

Juízos de valor sobre consequências é sempre mais fácil.

Perante tragédias destas, os meios são sempre insuficientes.
Os bombeiros também são pessoas, também não querem morrer...

Cumprimentos


Anónimo disse...

Ao anónimo das 13h57.

Lembre-se que o naufrágio do Prestige foi em Novembro de 2002 e, juntamente com o atentado terrorista de 11 de Março, foi um dos factores que motivou a derrota de Rajoy e a eleição de Zapatero.

Bmonteiro disse...

Rebuilding a State.
Imune ao assalto de funcionários menores ou maiores do partido do governo, aos gabinetes dos diversos ministérios, com assessorias inúteis.
Enriquecendo um gabinete de estudos e análise em cada ministério. Encargos obtidos da economia vinda da redução dos deputados no Circulo de S. Bento a metade.
PS: reduza-se significativamente o leque de deputados em part-time. Como os que frequentemente se ocupam por ex numa Ordem de Solicitadores & Cia...Refugiado de Faro, deputado por Lisboa, carente de segundo salário?
A bem do Regime.

Joaquim de Freitas disse...

Voilà um comentário de bom senso, o de Maria, numa “enxurrada” de reacções por vezes partidárias, lamentáveis, como se alguém em Portugal tivesse o poder de prever condições climatéricas tão adversas num conjunto de circunstâncias nunca vistas antes. Porque não é todos os dias que um furacão atravessa o Atlântico para matar em Cork, na Irlanda e em Portugal , atiçando as chamas.

O que não impede que desde há muito que os Portugueses são mal governados neste aspecto e em muitos outros.

Mal governados quando se gastaram somas enormes na construção de auto estradas prestigiosas, em estádios de futebol às moscas, em submarinos inúteis, para “inglês ver”, como se fôssemos realmente “grandes” , desperdiçando o dinheiro que não temos em coisas prestigiosas mas superficiais. Enquanto que a ordenação do território passava ao segundo plano.
Mas que tenhamos isto bem presente: Os incêndios em Portugal :em 2016 e 2017 pode vir a ser a norma no curso do século.
Devido à mudança climática, não têm nada de excepcional. Mas é possível limitar os riscos.
O incêndio de florestas e de ambientes naturais é um risco major à escala global com 3 a 4 milhões de hectares queimados cada ano no mundo, ou seja 3% da vegetação existente. Os incêndios causaram 2 000 mortos directos nos últimos trinta anos, e os efeitos indirectos ligados aos fumos tocam 6 milhão de habitantes cada ano.
Participei na minha comuna a certas reuniões de estudo deste flagelo. Não conheço os números portugueses, mas em França, cada ano, há 4 000 incêndios e 24 000 hectares queimados. O orçamento para o combate aos incêndios é de 500 milhões de euros, dois terços para a luta e um terço para a prevenção. Claro que esta verba não inclui os estragos ecológicos e a sua reparação
Após os grandes incêndios de 1989 e 1990, a política de combate deu bons resultados com uma baixa importante dos incêndios e das superfícies queimadas. Estes progressos resultaram da melhor detecção, da prevenção e dos meios e estratégias de luta.
Mas estes progressos restam frágeis e nestes dois últimos anos, particularmente secos e quentes, desenvolveram-se grandes incêndios.
Não há dúvida nenhuma que existem, interacções entre as mudanças climáticas e a evolução das actividades humanas e os meios naturais. O que, a longo prazo, aumenta os riscos de incêndios.

Anónimo disse...

Agerraçar as mangas....e/ou as saias ?....

Anónimo disse...

Então para que servem os ministros?
O relatório dos peritos não é claro?

Anónimo disse...

"São os mordomos do universo todo
Senhores à força mandadores sem lei
Enchem as tulhas bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei"

agora já não há pinhal do rei...

Anónimo disse...

@Reaça

Depois siga para a venezuela que la o papel higienico e coisa escassa creio que se sentira muito feliz e a cerveja no topo do bolo é que assim podera limpar o rabo mais vezes com a mão.

Anónimo disse...

"17 de outubro de 2017 às 15:31" - vê-se a derrota...

mensagensnanett disse...

Já chega!
Foram mestres/elite em economia que enfiaram ao contribuinte autoestradas 'olha lá vem um', estádios de futebol vazios, BPN, etc, etc, etc.
Leia-se: quem paga - vulgo contribuinte - não pode deixar de ter uma palavra a dizer!
---»»» Leia-se: O CONTRIBUINTE NÃO PODE PASSAR UM CHEQUE EM BRANCO A NENHUM POLÍTICO!!!
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Democracia Semi-Directa!
-» Explicando melhor, em vez de ficar à espera que apareça um político/governo 'resolve tudo e mais alguma coisa'... o contribuinte deve, isso sim, é reivindicar que os políticos apresentem as suas mais variadas ideias de governação caso a caso, situação a situação, (e respectivas consequências)... de forma a que... o contribuinte/consumidor esteja dotado de um elevado poder negocial!!!
-» Dito de outra maneira: são necessários mais e melhores canais de transparência!
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Exemplo:
Todos os gastos do Estado [despesas públicas superiores, por exemplo a 1 milhão (nota: para que o contribuinte não seja atafulhado com casos-bagatela -» a Democracia Directa tem precisamente este inconveniente!!!)], e que não sejam considerados de «Prioridade Absoluta» [nota: a definir...], devem estar disponíveis para ser vetados durante 96 horas pelos contribuintes na internet num "Portal dos Referendos"... aonde qualquer cidadão maior de idade poderá entrar e participar.
-» Para vetar [ou reactivar] um gasto do Estado deverão ser necessários 100 mil votos [ou múltiplos: 200 mil, 300 mil, etc] de contribuintes.
{ver blog « http://fimcidadaniainfantil.blogspot.pt/ »}
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Um caso:
- dinheiro mal gasto... podia ter sido utilizado na compra de maquinaria florestal... no sentido de serem criadas ZONAS DE SEGURANÇA... para que a população possa ficar em segurança face à eventualidade de ficar cercada por um incêndio.



Anónimo disse...

Estava aqui a ler um artigo num jornal catalão, acerca dos incêndios na Galiza e - espanto! -, eles quexam-se exatamente do mesmo que nós. Então... mas, aquilo lá em cima não era perfeito?

http://www.elnacional.cat/es/opinion/diana-lopez-incendios-galicia_203313_102.html