sábado, 28 de outubro de 2017

Alain Demoustier (1931-2017)



Partiu o Alain Demoustier. Uma existência cheia, uma forma de estar no mundo feita de um imenso interesse pelos outros, do culto da amizade, tudo embrulhado num olhar, simultaneamente arguto e divertido, sobre este país que ele adorava e sobre o qual sabia imenso. O Alain, não obstante os embates da vida, mantinha uma jovialidade quase adolescente, que teimava em espalhar em quem estivesse à sua volta. Conhecemo-nos melhor bastante tarde, através de grandes amigos comuns, mas rapidamente gizámos uma cumplicidade divertida, um gosto comum pela blague inteligente, que nos enchia os episódicos encontros. Nesta hora triste, deixo um beijo nosso de grande pesar à Friquette.

6 comentários:

Anónimo disse...

Foi um "bon vivant" de uma época que já ningém pode imaginar como era.

Representante de um estilo de vida hoje já vedado às novas gerações.

Como dizem os ingleses: "He was a character"

Luís dos Santos FerroUnknown disse...

Caríssimo Francisco,
Por si fiquei a a conhecer a triste notícia.
Amigo de longa data, o Alain seria talvez, acima se diz, também "a character".
Todavia, homem muito inteligente, discreto e bem educado, senhor de humor fino (em diversas línguas !) era pessoa culta em disciplinas diversas, melómano dedicado e conhecedor.
Durante tempos, na sua bonita casa de Caxias, alegres serões musicais recebiam amigos e entusiastas. Ouvindo ópera, lá tive o gosto de conhecer o nosso caro JP Garcia.
Família acolhedora -- penso na Friquette com emoção -- poucos saberão da pronta e activa ajuda humanitária que, generosa, discreta, dedicadamente levaram a cabo em épocas dramáticas da moderna história portuguesa. Lembramos como efectivamente viveram no Aeroporto as angústias dos retornados de África...
Abraço-o, caro Francisco, na lembrança deste nosso Bom Amigo,
L.

Helena Sacadura Cabral disse...

Meu caro Francisco.
Curiosamente escrevi esta tarde sobre o Alain, meu amigo de há mais de sessenta anos. Fomos, o António Monteiro e eu, os padrinhos dessa sua ultima aventura de querer também morrer português. Perdi um amigo que estimava muito e com quem passei momentos muito felizes em Vila Viçosa. Que a doce Friquette possa atravessar mais esta dificuldade.

Anónimo disse...

Pois foi, caro Luís!

E lembro-me de lá gravar, por volta dos meus treze anos, a integral das sonatas de Beethoven pelo Backhaus. O Alain tinha uma aparelhagem e uma discoteca notável.

Mas quero sobretudo deixar um abraço a toda a família. À Friquette claro, mas também à minha muito querida Michèle, à Anne, à Baja e a todos os outros.

Fui pela primeira vez à Quinta de Santo António da Mina em 1969, onde ainda conheci Jean, pai do Alain. Recordo os belíssimos quadros de Possoz e a simpatia geral dos residentes.

Soave sia il vento, caro Alain!

Anónimo disse...

Caro Francisco, caro Luís,

Peço desculpa a ambos por não ter assinado o meu post das 22.53 de 28 de Outubro. Só hoje reparei nisso.

JPGarcia

Joaquim Covas disse...

Eu de 1927 conheci Alain e Friquette de 1960 a 1970 e poucos. Embora longe nunca o esqueci e da convivência que tivemos. Hoje querendo matar saudades daqueles tempos com grande consternação já não o consegui. Lembro-me da sua boa disposição, sempre sorridente, afável enfim um incomparável amigo. Pêsames à sua família