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quinta-feira, outubro 12, 2017

Sócrates


Sócrates foi acusado pelo Ministério Público. Já não era sem tempo! Agora que foi deduzida uma acusação concreta, vai ser possível à opinião pública, sem ser através de fugas alambicadas para a comunicação social, ter acesso à leitura dos factos que hoje permitem à justiça formular as suas graves imputações. Pelo que entretanto já foi divulgado, José Sócrates e os restantes acusados vão ter de explicar muita coisa. Há factos que parecem muito estranhos, circunstâncias que se afiguram muito pouco óbvias, coincidências e ligações que vai ser necessário dilucidar com clareza. Ao longo deste tempo, é evidente terem-se adensado crescentes dúvidas, no seio da opinião pública, sobre as atividades do antigo primeiro-ministro. Muitas pessoas, algumas das quais também ajudadas por preconceito político, mas muitas outras com total boa fé, consideram já Sócrates culpado. No que me toca, porque só sei o que leio e não dispenso o contraditório, não posso por ora concluir se Sócrates é ou não culpado, em parte ou no todo, daquilo de que o acusam. Mas também eu criei dúvidas, que quero esclarecer. Também eu quero saber toda a verdade sobre aquilo de que é acusado alguém que conheci há mais de 20 anos, de quem fui colega de governo durante mais de cinco anos, que foi meu primeiro-ministro durante seis anos. Mas não é a mim que compete julgar Sócrates, essa é a função dos tribunais. Espero que o julgamento que se vai seguir nos traga essa verdade, seja ela qual for. Não é confortável para um país ver um seu antigo chefe de governo a contas com a justiça, em especial acusado de graves atos de improbidade cometidos no exercício do cargo que o voto popular lhe confiou. Porém, se a investigação tivesse durado um tempo razoável e se não se tivessem registado "leaks" que em nada enobreceram a neutralidade da nossa justiça, seria tentado a dizer, desde já, que só pode dignificar o nosso sistema judicial a circunstância de figuras poderosas poderem, sem a menor limitação, ser levadas à barra dos tribunais. Mas di-lo-ei, de muito bom grado, se, no final deste processo, todos pudermos concluir, sem a menor sombra de dúvidas, que foi feita justiça.

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