sábado, 14 de outubro de 2017

Somos netos da madrugada?


Há qualquer coisa que indicia um malsão e inexistente estado de exceção no espetáculo do ministro das Finanças a entregar ao chefe do parlamento, tarde na noite, o Orçamento para 2018, seguindo depois para uma conferência de imprensa pela uma da manhã. É para apagar mediaticamente os "fogos" de Pedrógão ou as faúlhas de Sócrates? Seja por que motivo for, é preciso dizer de forma clara que, em democracia, as coisas não devem passar-se assim. Há rituais de serenidade e eficácia que devem ser respeitados, para que os cidadãos fiquem com a certeza de que quem os governa não anda "à bout de souffle", que as coisas do Estado estão em boas mãos e são tratadas nas devidas horas, que o tempo dos "homens sem sono" já foi chão que deu uvas. As madrugadas servem para um copo no Procópio, não para coreografias de Estado.

6 comentários:

Anónimo disse...

Ele ainda é os hábitos da revolução.

O desespero das negociações impossiveis, as utopias que se querem concretizar a martelo para manter a geringonça.

Me parece que está tudo lixado.
Ainda por cima era sexta-feira 13. Quiseram que já fosse 14.
São os bruxos dizendo que não era o momento propício.

"N'importe quoi."


Ainda temos de saber o que a Europa terá a dizer a este orçamento.

Anónimo disse...

Totalmente de acordo
João Vieira

jj.amarante disse...

É uma tendência doentia dos Portugueses, este afobamento no fim dos prazos e a falta de respeito dos horários programados. É também reflexo e causa do nosso atraso organizativo.

Pedindo desculpa por desconversar, a intervenção da Federica Mogherini sobre a intervenção de TRUMP relativa ao acordo com o Irão é um novo nível de incompatibilidade UE-EUA ou já aconteceram outras divergências semelhantes no passado?

Anónimo disse...

Quase como quem diz de mansinho:
Maldita madrugada a de 25 de Abril de 1974. Ou não?

jose neves

Anónimo disse...

Deixem-se de mariquices. O Governo entregou o Orçamento 73 horas antes do prazo fixado.

Luís Lavoura disse...

Mas esta mania de fazer as coisas de madrugada não é exclusiva dos portugueses e, nestes, não é exclusiva da apresentação de orçamentos. As reuniões do Conselho de Estado sempre se estenderam, antes da presidência de Marcelo, pela madrugada fora (razão tinha o falecido Mário Soares, que se punha delas para fora às 20 horas). E as discussões na União Europeia também se fazem quase sempre pela madrugada.
Eu por mim vou sempre para a cama às 23, e desligo de discussões pelo menos uma hora antes disso. Que vá à merda quem queira trabalhar pela madrugada fora.