Se tiver interesse, pode ver aqui.
Se não lhe apetecer, amigos como dantes, com votos de que tenha muito boas férias.
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Se não lhe apetecer, amigos como dantes, com votos de que tenha muito boas férias.
O incidente na sala de um partido na Assembleia da República não é um "fait-divers". Sem a menor ironia, acho aquilo gravíssimo.
Se o secretismo de uma força política foi violado, dentro da casa da democracia, tratou-se de um atentado à República.
Se acaso foi uma encenação, o país político não pode deixar de retirar consequências.
Acabar tudo "em águas de bacalhau" é que não! Se tal viesse a acontecer, isso significaria que as instituições já não se levavam a sério.
Serei eu quem está enganado ou seria natural que a posse da pessoa encarregada das comemorações nacionais da datas fundacionais do país fosse uma cerimónia com uma alargada presença política? Olhando a assistência, fica a ideia de uma quase "conversa em família". Não foi bonito.
Houve algum MAI reconhecidamente exemplar? Houve. Assim, acho que tudo recomenda a que venha a ser testado num lugar um pouco mais acima.
No Reino Unido, Andy Burnham decidiu baixar os custos fiscais que impendem sobre os "pubs". Não deve tardar muito até que, por cá, um conhecido líder do pessoal da conversa de tasca venha a emulá-lo com uma proposta idêntica, para dar um bónus etílico ao seu eleitorado.
Para uma população como a da Rússia, que sempre olhou o poder político à luz da capacidade de proteção perante o exterior, as flagelações diárias por drones ucranianos devem estar a induzir uma estranha sensação de fragilidade, com seguro impacto na imagem de Putin.
É interessante constatar como a crise que envolve dois ministros funciona como um teste ao presidente da República, para avaliar o grau de crítica pública que ele está disposto a assumir. Depois do surpreendente intervencionismo nas intempéries, Seguro será agora mais timorato?
Foi há um quarto de século que conheci pessoalmente Jorge Martins, um pintor cuja obra ja admirava. Com o meu colega José Guilherme Stichini Vilela, fui ao atelier em Campo de Ourique ver um óleo seu que o MNE ia adquirir para a residência da nossa missão na ONU, onde eu iria viver dias depois. À distância, já não me recordo se tive alguma palavra a dizer quanto ao quadro que foi escolhido, mas julgo que sim, sem o que não teria sentido a minha deslocação. Tinha-me voluntariado para levar a pintura no transporte da minha bagagem para Nova Iorque. Instalei-a quando ali cheguei e ficou lindamente na principal sala, onde creio que permanece.
A magnífica pintura de Jorge Martins respira hoje muito bem no torreão da Cordoaria, onde convivem tempos distintos do seu percurso artístico. Aconselho vivamente uma visita. Estará por lá todo o mês de agosto.
Num Mundial de futebol cheio de polémica, aliás justificada, é muito positivo que o vencedor, a uma clara distância, tenha sido a melhor equipa na final. A Espanha foi um justo vencedor. Trump não deve ter gostado.
Folheei-o duas ou três vezes. Depois arrumei-o tão criteriosamente na estante que nunca mais lhe pus a vista em cima — um talento que fui aperfeiçoando ao longo dos anos: esconder livros de mim próprio com uma eficácia que faria inveja a qualquer serviço secreto.
Hoje, ao olhar para esta fotografia que há pouco tirei numa rua de Lisboa, apeteceu-me relê-lo. Tenho a sensação de que teria muito a dizer sobre esta porta, que parece ter desistido de guardar segredos e resolvido abrir-se ao mundo da forma mais dramática possível.
Procurei o livro e não apareceu.
Sendo assim, vou ver a bola. Há portas que não se abrem e livros que não se encontram. O futebol, esse, começa à hora marcada.
Mas não é que têm razão? Há pouco, descobri esta subliminar infiltração do Bloco numa caixa de ventilação.
Cuidado! Eles estão em toda a parte!
A aparente quase unanimidade que parece existir em torno da reeleição do atual presidente da FIFA — depois do seu vergonhoso comportamento durante o Mundial — revela bem afinal o que é o mundo do futebol internacional. Quase que se podia dizer: volta, Blatter, estás perdoado!
Dizer-se ao mundo que a final do Mundial de futebol teve lugar em Nova Iorque, quando na realidade teve lugar em Nova Jersei, é mais uma daquelas pequenas vigaricezinhas da FIFA.
Recordo que, desde há vários meses, este blogue deixou de acolher comentários.
Contudo, continua a ser possível consultar os comentários inseridos desde 2009. Eles fazem parte integrante da história do "Duas ou Três Coisas".
O Presidente da República impõe a ausência de telemóveis em determinadas reuniões no Palácio de Belém. Ora aqui está uma bela medida no combate a um certo tipo de poluição.
É positivo que as pessoas sigam o hábito de se levantarem à chegada do Presidente da República a uma cerimónia pública. As liturgias da República são um gesto de respeito pela coletividade, ali simbolizada pelo Chefe do Estado.
Parabéns a António Feijó e à sua excelente equipa.
Nota-se uma inquietação por detrás da narrativa de Donald Trump sobre a existência de irregularidades eleitorais nis EUA, pressentindo já dificuldades nas intercalares de novembro. Entretanto, ninguém parece acreditar que uma eventual ingerência chinesa tenha tido uma influência decisiva no passado.
Escrevi por aqui que a Argentina jogou melhor do que a Inglaterra. "Viu-se bem que és a favor da Argentina!", exclamou um amigo ao telefone. É extraordinário! O mundo está esquisito. Se eu disser que o Messi é o mais genial jogador deste mundial, fico abraçado ao Milei?
Não se entende a razão pela qual nunca ninguém se lembrou de utilizar um conhecido génio de organização logística para pôr cobro ao caos (1) no INEM, (2) nos aeroportos e (3) nos exames. E, já agora, no governo.
Lembrei-me dos tempos em que chegava ao Procópio, depois de jantar, pedia o primeiro whisky (depois, passei ao whiskey) ao Juvenal ou ao Luís ou ao Carlos, e entrava numa charla divertida com o Nuno, sobre política e tantas outras coisas, ao sabor dos eventos do dia ou de quem se fosse entretanto juntando à mesa.
Foram muitos anos, muitas noites e muitas madrugadas de conversa. Quando, casualmente, alguém por ali levava mais a peito um argumento, logo o Nuno lembrava que aquilo não passava de uma tertúlia, com o que isso significava de não nos devermos levar demasiado a sério. Com os anos, como ele dizia, tinhamo-nos tornado no "ventre mole do núcleo duro".
É um clássico as oposições pedirem a demissão de um ministro sob fogo. Surge a dúvida: se o primeiro-ministro lhes fizer a vontade e vier substituir todos os ministros contestados, o seu governo acabará por merecer a simpatia das oposições? Ou não será que o problema afinal é ele mesmo, o primeiro-ministro?
Ah! Pois é.
A graça do futebol, outra vez: a cinco minutos do fim as Falkland ganhavam; pouco depois, a glória vai para as Malvinas. Para zanga dos meus amigos britânicos e argentinos, sempre chamei àquilo Malkland.
Ouvi então o meu pai pedir "água de Melgaço". E acordei para o facto dessa bebida ser o parente pobre do triângulo que dava o nome à empresa: "Vidago, Melgaço e Pedras Salgadas".
Estávamos habituados a pedir Pedras ou Vidago, mas nunca tinha bebido água de Melgaço! Provei-a. Gostei. Hoje, confesso, seria incapaz de a distinguir das outras águas gasocarbónicas — o meu paladar nunca ascendeu a esse grau de refinamento hidrogeológico —, mas na altura pareceu-me excelente, talvez por efeito do contexto, ou do entusiasmo da descoberta.
Tendo a minha mãe nascido nas Pedras Salgadas, onde a água gasosa era qualificada como a "água da companhia", a que os habitantes, em outros tempos, tinham direito de fornecimento domiciliário sem custos, em nossa casa só entrava "água das Pedras". Fiquei um fã eterno de Pedras.
Ainda assim, a experiência de Melgaço deixou-me curioso. De regresso a Lisboa, telefonei para a empresa a perguntar como poderia adquirir Água de Melgaço. Do outro lado da linha, instalou-se um silêncio que não augurava grande procura. Após alguma insistência, lá aceitaram vender-me duas grades.
Fiquei à espera.
Dias depois, ao sair de casa, deparei com uma camioneta da VMPS estacionada na rua, naquele inconfundível verde e branco que anunciava águas com história. Um empregado consultava uma papelada com ar ligeiramente perplexo. Tive um pressentimento.
— Veio fazer alguma entrega?
— Tenho aqui um nome, mas o número da porta deve estar errado. Nunca aqui vim. Venho entregar uma água que ninguém pede…
Era para mim.
Lá estavam as duas grades de pequenas garrafas de Água de Melgaço. As tampas — as caricas, como se diz em lisboês — já apresentavam alguma ferrugem, e o gás, esse, tinha desertado há muito. Mas pouco importava. Aquilo já não era água: era uma prova material de obstinação.
Dizem-me que, desde então, a Água de Melgaço tem tido um destino comercial mais glorioso.
Esta é magia do futebol: quando pensamos que a França tem um modo de jogar quase imbatível e que a Espanha, tendo embora um bom futebol, não lhe "chega aos calcanhares", a realidade no terreno desmente-nos.
Contrariamente à maioria das pessoas, sou quase sempre neutral a ver futebol. Neste Mundial, tirando Portugal, Cabo Verde e um pouco o Brasil, "tanto se me dá como se me deu", como antes se dizia. Mas, vá lá! Confesso que a eliminação dos EUA não me mergulhou numa inconsolável tristeza...
Um truque bem sucedido por parte de Luís Montenegro é ter conseguido criar a ilusão de que o problema não é ele e a sua flagrante incapacidade em gizar um projeto eficaz de governo. Limita-se a queixar-se e a deixar queimar ministros. Sabem o que é um "governo de gestão"? É isto!
A União Europeia não consegue entender-se para sancionar as exportações de colonatos ilegais na Cisjordânia. Esta União Europeia, em termos morais, tem a espinha dorsal de uma amiba. Contudo, ouvindo os seus líderes, continua a ter pretensões de ser levada a sério. Que tristeza!
Uma palavrinha do senhor Presidente da República ao senhor Primeiro Ministro, estranhando que medidas do âmbito do executivo sejam anunciadas por um porta-voz partidário, seria muito bem vinda, a bem da salubridade da vida democrática. E nem precisa de ser divulgada.
Margarida Davim é uma jornalista bem preparada, corajosa e sem papas-na-língua. Posso imaginar que a sua frontalidade já esteja a ser incómoda para alguns. Estejam atentos.
Veremos se o senhor primeiro-ministro virá a jogo defender o seu ministro da Administração Interna, alvo da extrema-direita, com o mesmo afã com que agora protegeu o ministro da Educação, ai-jesus da direita liberal.
Há dias, uma importante figura do PSD, crítica de Montenegro, dizia-me: "Todos sabemos que o PS, quando está no poder, enxameia a Administração Pública de gente amiga. O PSD faz exatamente o mesmo, mas nunca a qualidade média do pessoal escolhido foi tão medíocre como agora".
Luís Neves, o recém-nomeado ministro da Administração Interna, tem, desde há muito, um discurso político baseado nos factos — e não nas perceções e nos mitos. Isso não agrada à direita radical, na qual se inclui a linha dominante na AD. Está e estará, por isso, sob fogo.
Mariano Rajoy, antigo primeiro-ministro espanhol, desencadeou uma tormenta mediática ao escrever num artigo (não se tratou de uma declaração precipitada) que, não obstante a sua qualidade, a seleção de futebol francesa não tinha franceses. Racismo, xenofobia, estupidez. Escolham.
O restaurante de hoje é "Puro Azeite", em Outeiro do Lobo, na Estrada Nacional 121, entre Ermidas do Sado e Santiago do Cacém, com o tlf. 965 448 049.
Há dias, reagindo a uma intervenção minha num debate, um participante, por sinal um amigo, interpelou-me assim: "Ó Francisco! Estou em completo e total desacordo consigo!" Falhei a reação, da minha parte, que devia ter sido: "Isso só confirma que eu disse coisas certas"...
Acho delicioso o conceito de "guerra esporádica" com que o "Le Monde" de hoje crisma os ataques americanos ao Irão. Está ao nível da histórica qualificação como "drôle de guerre" da situação que se viveu em França antes da Segunda Guerra mundial.
Nas redes sociais, surgem uns fulanos a afirmar que o destino da sua vida é escrever e que a escrita lhes ocupa tanto tempo que praticamente não leem. Alguns não têm pejo em afirmar que a leitura pouco ou nada lhes ensina. Na minha terra, dizia-se: "Quem lhes atasse um arado!"