Há dias, num grupo de pessoas em que algumas eram mais velhas do que eu, lembrei um programa dos primeiros anos da RTP.
Chamava-se "O Senhor que se Segue" e era protagonizado por Artur Agostinho e Camilo de Oliveira. As cenas passavam-se num salão de barbeiro. Artur Agostinho era o "Senhor Gaspar", dono da barbearia, e Camilo de Oliveira, cujo nome na série esqueci, era gago e, a propósito de tudo e de nada, agradecia, gaguejando: "Ó... Ó... Obrigadinho, Sô ... Sô... Sô Gaspar". Isto tinha piada? Imagino que sim, embora talvez só para a época, tanto mais que, frequentemente, o humor viaja mal no tempo.
Para o que aqui me importa, ninguém naquele grupo — repito, ninguém — se recordava da série. Apenas uma das pessoas tinha a chamada "ideia vaga".
A que propósito vem isto agora? Há algumas horas, a propósito do novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, disse numa conversa que ele era "o senhor que se segue". Mas logo temi esgrimir esta minha permanente memória de associação e lembrar o "Senhor Gaspar ".

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