sábado, julho 25, 2026

Jornalismos


A conversa, moderada por Maria Flor Pedroso, reuniu no Clube dos Jornalistas três profissionais da área do jornalismo, ao final da tarde da passada quinta‑feira. O encontro, que vem na sequência de outros, revelou‑se interessante: profissionais a refletirem, com candura e frontalidade, à luz da sua diversa experiência, sobre o modo como as mutações tecnológicas e culturais estão a reconfigurar o seu ofício.

Percebia‑se uma inquietação difusa — e até uma certa desorientação — quanto à capacidade do jornalismo contemporâneo de ainda conseguir reencontrar um vínculo sólido com a sociedade. Já não há “o” público, mas uma constelação fragmentada de audiências, com hábitos de consumo informativo profundamente distintos, ritmos de atenção desiguais e expectativas que dificilmente se deixam acomodar em soluções de oferta noticiosa uniformes.

Foi particularmente interessante ouvir o meu amigo José Ferreira Fernandes, cuja experiência atravessa várias etapas da profissão, destacar as virtudes do projeto que hoje integra, "A Mensagem de Lisboa". A aposta no local, naquilo que pode devolver densidade ao quotidiano que nos pode motivar, surgiu ali como uma via possível para restabelecer pontes com leitores cada vez mais esquivos.

No entanto, e apesar da persistência quase obstinada na trilogia fundadora do jornalismo — “olhar, ver, contar” —, saí dali com a impressão de que algo mais profundo se deslocou inapelavelmente. Não o questionamento do conceito de verdade, que permanece necessariamente una, mas a dificuldade de a fazer reconhecer num espaço público saturado de narrativas concorrentes. Assim, a batalha já não parece ser apenas pela descoberta da verdade, mas pela sua legitimação — e essa, tudo indica, deixou de ser uma guerra que o jornalismo possa vencer sozinho.

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