sexta-feira, julho 24, 2026

Domingos Simões Pereira


Não faço parte de quantos têm uma endémica compulsão — que sempre achei uma forma de paternalismo pós-colonial — que os leva a estar sempre a "mandar bitaites" sobre a vida política interna das antigas colónias portuguesas, mesmo que por razões alegadamente afetivas, salvo naquilo que o nosso relacionamento bilateral torne imperativo. 

Contudo, como democrata, estarei sempre do lado de quantos desejam e lutam para que os seus países sejam regidos pela preeminência do voto popular na escolha dos dirigentes e, em geral, pelos princípios da liberdade. Em qualquer parte do mundo — na Guiné-Bissau como na Sildávia ou na Bechuanalândia.

Domingos Simões Pereira, antigo secretário executivo da CPLP, é um democrata guineense que, em atos eleitorais no seu país, mereceu a confiança do seu povo. No regime ditatorial militar que a força ilegítima das armas impôs na Guiné-Bissau, tal como na autocracia que já antes ali vigorava sob grande complacência internacional, foi perseguido e preso. Agora, por razões de saúde, veio para Portugal. 

É muito bom sinal que Portugal continue a poder ser um lugar de refúgio seguro para democratas perseguidos — falem eles a língua que falarem. 

Como amigo e admirador de Domingos Simões Pereira, fico muito satisfeito por vê-lo livre da prisão da ditadura que vigora no seu país.

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