Num dossiê levado ao ministro, seguia o texto de uma qualquer convenção estabelecida no âmbito das Nações Unidas, acompanhado de um anexo, com a lista dos países subscritores que já a haviam ratificado.
Estranhamente, porém, a lista dos países incluída no anexo tinha uma primeira página apenas com a referência a dois Estados, seguida de uma outra com mais de 80. Tudo por ordem alfabética.
O ministro terá perguntado, um pouco intrigado, a razão pela qual se faz essa separação. Ninguém soube responder. Seria um lapso, pela certa. Nada de importante, contudo.
Aborrecido com o incidente, logo que regressou ao seu serviço, o responsável chamou o jovem funcionário diplomático que preparara o dossiê. A mesma perplexidade: ele também não vira a lista antes.
Para tentar acabar com o mistério, chamou-se a dactilógrafa, para que explicasse por que razão fizera as coisas daquela forma.
Com a maior calma, a senhora elucidou: "Por que razão só coloquei dois países numa página e os restantes noutra? Ora essa! É muito simples: porque depois do segundo país estava lá escrito... Alto Volta. E eu mudei de página, claro!".
Um dia, ao ouvir alguém repetir pela enésima vez a historieta, assisti a um alto funcionário da casa comentar, com um ar de falsa gravidade: “Foi precisamente para evitar futuras confusões que decidiram mudar o nome do país de Alto Volta para Burkina Faso”. Elementar.
Porque me lembrei disto agora?
Desde logo, porque estamos em agosto, mês auge da "silly season". Depois, por causa da confusão que por aí anda com o vasilhame marcado com a palavra “Volta”. E também porque, depois de amanhã, salvo erro, começa a Volta.

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