Folheei-o duas ou três vezes. Depois arrumei-o tão criteriosamente na estante que nunca mais lhe pus a vista em cima — um talento que fui aperfeiçoando ao longo dos anos: esconder livros de mim próprio com uma eficácia que faria inveja a qualquer serviço secreto.
Hoje, ao olhar para esta fotografia que há pouco tirei numa rua de Lisboa, apeteceu-me relê-lo. Tenho a sensação de que teria muito a dizer sobre esta porta, que parece ter desistido de guardar segredos e resolvido abrir-se ao mundo da forma mais dramática possível.
Procurei o livro e não apareceu.
Sendo assim, vou ver a bola. Há portas que não se abrem e livros que não se encontram. O futebol, esse, começa à hora marcada.

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