Há dias, na Bertrand das Amoreiras, deparei com um livro sobre a Revolução de Abril que ainda não conhecia. Tal como desconhecia o autor. Ora, sobre esse tempo, tento ler tudo ou quase tudo. Para não deixar esse “quase” por preencher, comprei o livro. Li-o em dois dias.
Trata-se de uma viagem, que se pretende minuciosa e quase exaustiva, pelo período 1974-1975. O autor juntou imensa informação, tratou-a à sua maneira e contou a sua história. Zurziu em quem não gostava e deu louros aos escassos restantes.
Raramente vi uma forma tão sectária de fazer história. Basta ver como, para o autor, cabem todos no mesmo saco. Deixo-os com esta pérola, que diz tudo: “Marcelo José das Neves Alves Caetano, Sebastião António Ribeiro de Spínola, Mário Alberto Nobre Soares e Francisco Manuel Lumbrales Sá Carneiro e a direita conservadora ou reaccionária tinham algo em comum que os identificava e filiava: sentiam o mesmo horror ao poder caído na rua, à ‘bestialidade’ da populaça”. E por aí adiante.
Não quero publicitar o nome do livro, do autor ou da editora, porque me recuso a fazer propaganda de uma obra desonesta, enviesada e que, no fundo, oferece armas a quem detesta Abril.
Então, porque falei no assunto, perguntarão? Apenas para desabafar esta irritação. Para este tipo de estados de espírito é que servem as redes sociais.

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