De facto, cada vez mais me sinto “contra o vento”: ainda não decidi se vou ou não sair de casa para ver o eclipse. Parece que há mesmo uns óculos para isso, mas não tenho nem tenciono perguntar onde se adquirem, se é que ainda se vendem. Percebo que vai ser um momento único, que nunca mais terei a hipótese de voltar a ver algo assim. “And so what?” A cada minuto que passa, invade-me a snobeira de poder vir a integrar o muito exclusivo clube de quantos, amanhã, podem proclamar, alto e bom som, que não viram o eclipse. Serei capaz desta heroicidade por omissão? A ver vamos, como diz o cego, para quem a vida é um eterno eclipse total.
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