segunda-feira, novembro 14, 2022

O nosso PC

O PCP não consegue ter a coragem de explicar uma coisa muito simples: a sua postura envergonhada pró-Rússia, com o mantra da “paz” a servir de bengala discursiva, é apenas o modo de deixar transparecer que a sua luta é essencialmente contra aquilo que a América representa e, por essa via, contra quem a ela se alia (União Europeia, por exemplo). Isso acontece por um conjunto variado de razões, mas principalmente pelo facto dos Estados Unidos serem os principais culpados históricos pelo fim da União Soviética, que um dia lhes matou de vez o sonho e os deixou sem real propósito estratégico. Ah! Mas uma coisa necessita de ser dita: o PCP tem todo o direito de ter esta posição. Podia é explicitar, alto e bom som, as suas razões, sem se refugiar numa linguagem equívoca.

4 comentários:

Unknown disse...

O PCP tem todo direito de ter essa posição. Não temos é o dever de levar com ela. Por isso, espero que haja alguma justiça e o PCP se extinga de vez, porque não faz falta nenhuma.

manuel campos disse...


"A Rússia durante setenta anos disfarçada de URSS", como escreveu José Cutileiro em 2010.

Francisco disse...

O Francisco tem esta condão de provocar saudavelmente os seus leitores, até mesmo, como foi aqui o caso, fingindo acreditar na mentira e verbalizando a construção simplista (e mistificadora, já agora) de que os EUA foram os actores por detrás do colapso da então União Soviética e, consigo, do denominado Bloco de Leste. Naturalmente que deram importante contributo, mas as causas foram evidentemente mais profundas e complexas.
Agora quanto a isso de matar o sonho (do PCP, neste caso) é que a coisa fia mais fino.
No dia de hoje e a fazer fé nas projecções de um conjunto de entidades internacionais, a Humanidade atingiu a marca de 8.000 milhões de indivíduos. E a grande pergunta que tem que ser feita é acerca do futuro dessas almas no interior do sistema capitalista, já que esse é por agora o sistema hegemónico mundial. Os dados de partida estão todos aí: fome, guerra, alterações climáticas, desigualdades crescentes, 1% da população "mais abastada" a consumir com o seu consumo compíscuo tantos recursos como os consumidos pelos 90% mais pobres, etc, etc., etc. A perspectiva de uma sociedade mais justa, equilibrada, estável e segura, em que o direito inalienável à felicidade seja um horizonte para todos os seres humanos, não é por isso mais do que um sonho necessário. E o caminho está em marcha, como o meu caro Francisco bem sabe. Pense-se no grande gigante asiático e na sua recente afirmação de princípios, pense-se na América Latina com toda a efervescência que a agita e pense-se também na Federação Russa e nas mudanças inevitáveis no modelo económico que a queda da URSSS trouxe consigo, as quais, mais cedo do que tarde e porventura ditadas quer pelas emergências da guerra quer pela mudança de percepções internas, ocorrerão inevitavelmente. Naturalmente que ainda vamos levando com alguns espantalhos reaccionários, retrógrados e doentios (de vez em quando até nesta casa tão bem frequentada), a quem se deve dedicar o mais olímpico desprezo; mas que o comboio está em marcha, nem o Francisco duvida, nem eu.

João Cabral disse...

A matreirice é típica do PCP, sempre foi. Não percebo a estranheza, senhor embaixador.

Carlos Antunes

Há uns anos, escrevi por aqui mais ou menos isto: "Guardo (...) um almoço magnífico com o Carlos Antunes, organizado pelo António Dias,...