Creio que, na Europa, não existe uma real consciência sobre o que se passa na vida política americana. Dir-se-á que esse é um problema deles. Os quatro anos de Trump provaram que não é assim. A crispação entre Republicanos e Democratas acarretará consequências para a Europa.
Há hoje duas Américas e as pontes entre elas são muito frágeis. Há relevantes setores do Partido Republicano, com suporte na opinião pública, que continuam a entender que a eleição de Joe Biden foi uma fraude.
Se, como tudo indica, os Republicanos vierem a ganhar as eleições na Câmara dos Representantes, no dia 8 de novembro, há sinais de que poderão iniciar um processo de “impeachment” a Biden, sob um pretexto qualquer, para “vingar” a derrota de 2020.
Embora as possibilidades de afastamento de Biden sejam remotas, o desgaste e fragilização que um processo de “impeachment” provocará terão forte um efeito negativo sobre a sua autoridade política, nos dois anos anos que lhe restam de mandato.
O re-surgimento de Trump, até ao final do ano, como putativo candidato republicano, no caso de uma derrota clara dos democratas nas “midterm elections”, é uma forte possibilidade. Nada indica que, no campo republicano, qualquer outra opção tenha hipóteses.
Na área democrática, a tradição manda que ninguém se oponha a um presidente em busca de reeleição. Mesmo que Biden pareça hoje cada vez mais frágil, e as eleições confirmem isso, só um “landslide” catastrófico poderia abrir caminho a outro nome.
A Europa tem de começar a pensar que um cenário americano de novo com Trump não é implausível. E, por isso, vai ter de fazer pela vida. Será capaz?
