Em 1958, estava eu a entrar para o liceu, saiu o extraordinário filme “Mon Oncle”, de Jacques Tati. Hoje, esta imagem reapareceu, já nem sei bem porquê, nas redes sociais. E dei por mim a recordar que, há cerca de uma década, quando eu vivia em Paris, foi desaconselhada a exibição pública desta cena do filme. Porquê? O homem ia a fumar, a criança ia sentada de forma insegura e sem capacete, um velhote levava um miúdo de bicicleta, sabe-se lá para onde e para quê…
Testem com algumas pessoas este caso. Verão que há logo quem diga: “A verdade é que é pouco pedagógico estar a divulgar em cinema imagens de pessoas a fumar, porque é uma promoção subliminar de um atentado à saúde”; ou “Mostrar uma criança a ser transportada numa bicicleta em condições de muito escassa segurança constitui uma forma de normalizar situações de risco físico que a educação cívica procura combater”; ou ainda “A ocorrência, muito mais vezes do que se supõe, de atos abusivos contra crianças, por parte de pessoas mais idosas, mesmo de familiares próximos, recomenda que se procure verificar sempre se essa convivência inter-etária se processa em quadros comportamentais regulares e autorizados”.
A obsessão virou doutrina e ai de quem hoje se ria destes preconceitos! O “politicamente correto” passou a policiar-nos. É esta a sociedade do futuro. Habituem-se!
