Anda meio mundo dividido entre saudar o portuguesismo de Pedro Pichardo ou desvalorizar as credenciais lusas do desportista.
É uma discussão que denuncia um país que parece não ter ainda aprendido que sempre se engrandeceu, no espírito e no resto, quando se abriu ao mundo e àqueles que nos procuram - porque gostam de nós, porque de nós precisam, seja lá pelo que for.
Da mesma forma, muita gente esquece que este país de gente que regularmente salta a sua fronteira necessitou sempre do mundo exterior para fazer a sua vida e até para adubar a glória histórica de que às vezes se reclama.
Por mim, ao ver Pedro Pichardo com as cores da nossa bandeira, congratulo-me com o facto de Portugal ter tido o feliz ensejo de proporcionar a um atleta de exceção, a um lutador e campeão, uma pátria - e mais do que uma pátria de adoção, importa-me que ela seja uma pátria de acolhimento.
Picharro é um extraordinário desportista e acolhê-lo é um privilégio. Mas gostava muito de ver o meu país feliz no dia em que ganhar o ouro da decência - a tratar bem o nepalês das estufas alentejanas, a guineense que se levanta de madrugada para ir limpar os escritórios, o brasileiro que nos serve o café nas esplanadas, o moldavo que passou a jardineiro deste país à beira mar plantado.
Essa, desculpem lá!, é a medalha que me importa bastante mais!
