Chama-se diplomacia à técnica (chamar-lhe arte é pedante) de interlocução que os Estados usam para tentar compor situações internacionais de rutura que se situam para além (ou aquém) dos conflitos militares. Quando as coisas são o que são, quando é em absoluto indispensável encontrar um modo de entendimento entre contrários, que tente resgatar um mínimo de paz, para salvaguar o que for possível, no presente ou no futuro, entram em cena os diplomatas.
No Afeganistão, o mundo ocidental, convencido da valia do seu modelo, procurou, ao longo de duas décadas, apoiar quantos ali afirmavam partilhar essas ideias. Falhou. Forças apoiadas em outras ideias (boas ou más, isso não é relevante agora) acabam de suplantar, no plano militar, os defensores do modelo democrático liberal - por muitas leituras explicativas (históricas, sociológicas e outras) que alguns sobre isso venham agora a fazer, em torno das razões por que isso sucedeu.
É que o mundo, onde não há becos, não acabou ali! O dia de amanhã é que vai ser diferente. Agora, com todo o sentido de compromisso possível, vai ser necessário dialogar com quem passa a mandar no Afeganistão, sendo em absoluto indiferente a opinião que se possa ter sobre os novos ocupantes do poder. Chama-se a isso realismo e pragmatismo, que sempre foi a chave para enfrentar situações desta natureza. A vida das pessoas está para além das ideologias. Regressou a hora da diplomacia.
