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quarta-feira, agosto 04, 2021

Acabou!


A menina da tabacaria (plural majestático e nada pessoano) do “Onda Azul” deve andar banzada. O ritual de muitos anos desapareceu. Recordo: passava por lá na tarde do dia de chegada, deixava apontada a lista num livrinho com o meu nome e, dia após dia, ia-se recolhendo a molhada de jornais e revistas. Até ao fim das férias.

Depois, eles espalhavam-se desordenadamente pela mesa da sala, para irritação doméstica, até que os que eram tidos por lidos iam formando uma pilha, ao lado de um sofá. Anos houve em que essa montanha de papel ali ficava a jazer, no final desses dias, a pedido do senhorio, destinada a ir a acender, no inverno, a sua lareira.

Em cada dia normal (anormais eram os dias do fim de semana), eram comprados quatro jornais. Com a liberalidade extravagante que esta altura do ano tende a estimular, com a aquisição cumulativa de algumas revistas estrangeiras, o gasto final do exercício, no fim das férias, devia rondar o de um bom jantar.

Este ano, as coisas mudaram. Do anterior vício, só ficaram os semanários, e mesmo estes numa versão já mais minimalista. O que é que se passou, para tudo isso ter desaparecido? Foi a internet, já que os noticiários e a maioria dos debates televisivos desapareceram do nosso quotidiano, desde outubro/novembro do ano passado? Talvez.

As contas de Twitter dos órgãos de comunicação transformaram-se na principal fonte de informação dos factos que interessam, algum “clipping” institucional que chega por email e a assinatura digital de algumas publicações, embora nem sempre consultadas com a devida regularidade, acabou por fazer o resto. Leio com grande irregularidade o que me chega por Whatsapp, coisa que os meus amigos se queixam que eu só consulto quando o rei faz anos, o que é pura verdade.

Muito do “garbage” informativo que, por inércia, antes era consumido cá por casa, deixou de o ser. Em grande parte, por exaustão noticiosa. Às vezes, confesso, dou conta de não ter ouvido falar de coisas e de gente de que toda a gente fala. E ouço-me frequentemente a dizer, correndo o risco de parecer estar a armar ao snobe: “Não sei, não li”. Mas arrisco esse risco.

Acabou-se a vaga de papelada diária. Estou a dar-me muito bem assim.

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