quinta-feira, agosto 12, 2021

“A Arte da Guerra”


Os taliban a aproximarem-se do poder no Afeganistão, a queda de Andrew Cuomo na política americana e o facto do mundo parecer impotente para derrubar o poder ditatorial de Lukachenko na Bielorrússia são, esta semana, os temas que discuto com o jornalista António Freitas de Sousa, em “A Arte da Guerra”, na plataforma multimédia do “Jornal Económico”.

Pode ver e ouvir aqui: https://fb.watch/7kYsdy58q3/

4 comentários:

Luís Lavoura disse...

Mas que raio é que "o mundo" (quem é esse?) tem que derrubar o poder de algum país?
"O mundo" não tem o direito de empreender tal coisa.

Joaquim de Freitas disse...

Apreciei muito Senhor Embaixador. Permita só uma reflexão sobre a possível influência do Irão no Afeganistão: Os muçulmanos do Afeganistão sendo 90 % sunitas, como pode o Irão ter uma influência qualquer?

Ao ler o pedido dos EUA aos Talibã de “não estragar a pintura” da embaixada americana, se houver combates em Cabul, contra ajuda de sacos de dólares quando estiverem no poder, não posso esquecer o discurso de John Kerry, perante a Comissão dos Negócios Estrangeiros do Senado, em 1971, de regresso do Vietname:

"JOHN KERRY:
“Podíamos ir para casa e calar-nos. Podemos ficar calados. Podemos não contar o que aconteceu no Vietname. Milhões de homens a quem aprendemos a violência e a quem foi oferecida a oportunidade de morrer pela causa mais vazia da história. Homens que regressaram com um sentimento de raiva, e um sentimento de traição que ninguém ainda apreendeu. Racionalizamos a destruição de aldeias inteiras para as salvar.
Vimos a América perder a sua consciência moral, concordando calmamente em acreditar numa mentira pura e simples, apagando a memória dos soldados americanos que distribuíram pastilhas de chewing-gum e barras de chocolate à população civil.
Aprendemos o significado dos termos "zonas de tiro livre" e "atirem em tudo o que se move", e vimos a América decidir que as vidas dos orientais não valiam nada.
Vimos os Estados Unidos falsificarem o número de mortos e até glorificarem o número de mortos.
Vimos homens atacar uma colina porque um general decidiu tomar aquela colina. E depois de uma ou duas secções perdidas, dezenas de homens, vimos estes homens abandonarem a colina, para deixar os norte-vietnamitas reocupá-la. E pedimos aos americanos que pensem em tudo isto.
Como se pode pedir a um homem para ser o último homem a morrer no Vietname? Como se pode pedir a um homem para ser o último homem a morrer por um erro.
Então, daqui a trinta anos, quando os nossos irmãos andarem na rua com menos uma perna, um braço, ou uma cara a menos, e as crianças perguntarem "porquê?", podemos responder-lhes: "Vietname". E ao fazê-lo, não evocaremos uma memória imunda e obscena, mas sim um lugar onde a América finalmente decidiu recuar, com a ajuda de soldados como nós.


Nao sei quem disse que todo presidente dos EUA antes de lançar uma nova guerra, devia ir fazer uma visita ao cemitério de Arlington. Ou ler o discurso de John Kerry.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Joaquim Freitas. Nâo tenho tempo para me ouvir. Mas duvido que eu tenha falado da “influência” do Irão no Afeganistão.

Joaquim de Freitas disse...

Caro Senhor Embaixador : Talvez eu tivesse ouvido mal. Quando fala da similitude da situação no Afeganistão e da Síria, “forças acantonadas” na grandes cidades e o resto do país abandonado à rebelião”…”Se calhar com a cumplicidade do Irão”…Mas devo ter mal ouvido, repito. Muito obrigado.

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