O jantar estava a ter lugar num local histórico muito famoso, nos arredores de Paris. Tratava-se da reunião dos mecenas, franceses e portugueses, de um evento cultural português, cuja inauguração teria lugar dentro de dias. Eu por ali estava, como representante oficial de Portugal em França.
Creio que não seríamos mais de 12 pessoas (13 não éramos, com certeza!). A conversa corria animada, em francês, cruzando a mesa. A certo passo, já perto do final do repasto, o principal mecenas francês, um milionário que morreu há poucos meses, disse algo que me pareceu bastante interessante.
Voltei-me então para um dos convidados portugueses, um empresário vindo expressamente de Lisboa para a ocasião, que me parecia um pouco alheado da conversa, e disse-lhe: “É muito curioso o que este senhor referiu, não acha?”.
O meu interlocutor, com um largo sorriso, respondeu: “Tem de me explicar o que ele disse. É que eu não falo uma palavra de francês. Aliãs, não consegui perceber quase nada do que foi dito durante o jantar!” Por um azar protocolar, nenhuma das pessoas ao seu lado falava português ou inglês, as únicas línguas que o homem dominava.
A vida social tem destas coisas. Hoje, sei lá bem porquê, veio-o à memória este episódio.
