quinta-feira, 22 de julho de 2021

A outra Noruega


Foi há dez anos. Um militante de extrema-direita colocou uma bomba que matou oito pessoas em Oslo e daí partiu para uma ilha próxima, onde jovens do Partido Trabalhista realizavam um encontro. Liquidou então a tiro, um a um, 69 dentre eles. 

Não se confirmou que o assassino estivesse ligado a alguma rede, ao contrário do que ele próprio afirmava. Aparentemente, o ato teve com objetivo manifestar a sua oposição ao que entendia ser a “islamização” crescente da Europa e a cumplicidade dos “marxistas” nessa deriva. Nada muito diferente do que alguma gente pensa por aí, ligada a agendas de ódio, embora sem se dispor a chegar a “vias de facto”.

Vivi três anos na Noruega, a partir de 1979. Vinha de um Portugal ainda em convulsão, depois do período revolucionário. Encontrei uma sociedade que me surpreendeu pela serenidade e civilidade do debate político. Os trabalhistas, partido histórico do poder, estavam já então sob algum desgaste político. Em eleições que ocorreram quando por lá vivia, a direita chegou ao poder.

Na noite do sufrágio, depois de apurados os resultados que levaram os conservadores ao governo, um jornalista português destacado por “O Jornal” para cobrir o evento, Fernando Dacosta, pediu-me que o levasse a ver as manifestações nas ruas, pela mudança ocorrida, que alteravam fortemente o “statu quo”. Quando chegámos ao centro da cidade, sem vivalma, cerca da meia-noite, ambos constatámos que ali se vivia numa “galáxia” política diferente da nossa. Por essa altura, cansado de alguma balbúrdia lusa, cheguei a perguntar-me se aquele civilizado modelo político (tirando o rei do tabuleiro institucional), idêntico ao praticado noutras sociedades nórdicas, não seria, afinal, a democracia ideal. 

É sempre muito redutor e caricatural afirmar, sobre um determinado país que apenas conhecemos conjunturalmente, que as coisas são “assim” ou “assado”. A sociedade calma e tolerante, criada pela social-democracia norueguesa, que a direita ascendente alterou apenas em alguns aspetos menores, era incompatível com o nacionalismo irracional que emergiu no dia 22 de julho de 2011? Não sei responder. À época, parecia ser. A tolerância, a moderação e um sólido património de consenso face a certos valores e alguns adquiridos, parecia fazer parte de um contrato social com larga base de apoio. A riqueza recente do país, contrastante com a memória de tempos de pobreza e de guerra, dava a ideia de colocar a Noruega ao abrigo de derivas totalitárias.

A Noruega, nesse tempo em que por lá andei, era um país acolhedor para refugiados políticos de várias origens e financiava agendas de grande generosidade no mundo em desenvolvimento. Mas, em abono da verdade, também por ali observei alguns sinais de xenofobia e mesmo de racismo. Nunca esqueci o olhos molhados de um caboverdeano, que tinha adquirido nacionalidade norueguesa, a contar-me que um dia, num serviço público, alguém lhe disse, de forma arrogante: “Você mudou de passaporte, mas não mudou de pele”. E era um pouco irritante ouvir, sempre que havia um roubo, ou um distúrbio à ordem social, o comentário rotineiro: “Deve ter sido um estrangeiro”. Nesse tempo, não havia redes sociais ou caixas de comentários onde detetar o outro país. 

Nenhuma sociedade está imune a evoluir negativamente face à diferença, como nós próprios bem sabemos. Nada disso, porém, apontava no sentido de vir ali a ser gerado um monstro como aquele que, naquele mesmo dia de há dez anos, fez 77 vítimas totalmente inocentes, num ato de terrorismo indiscriminado. A História mostra-nos que nunca devemos subestimar a capacidade de uma sociedade gerar, no seu seio, os piores monstros. E que, no dia a dia, devemos manter-nos alerta e pensar que tudo é possível em toda a parte.

15 comentários:

Jaime Santos disse...

Sem dúvida, muito embora neste caso, tratando-se de um lobo perfeitamente solitário (com sérios distúrbios de personalidade), é impossível prever a sua aparição.

Bem entendido, a ideologia que perfilou no seu manifesto não foi inventada por ele, mas ela é apelativa para esse tipo de pessoas.

Mas sinceramente, em que é que a ideia de que se deve deixar correr a infecção covid-19 livremente (ou vá lá com restrições, mas sem tentativa de supressão do vírus) até ser atingida a imunidade de grupo (se ela existe, o que é algo duvidoso no caso de infecções respiratórias em que o agente patogénico tem um grau elevado ou alto de mutação) é assim tão diferente das ideias eugénicas subscritas pelo dito assassino e comparsas?

É uma mera questão de grau... Por isso, monstros e monstrinhos há-os em todo o lado... Alguns até vestem fato e gravata e fazem apresentações em Power Point, em vez de recorrerem a bombas e metralhadoras...

AV disse...

Foi extremamente triste o que aconteceu nesse dia, no que se perdeu em promessa, e nas tragédias pessoais que ficaram.
Os piores monstros vêm de dentro da nossa comunidade/sociedade e estão também dentro de nós, indivíduos.
A questão está em como os neutralizamos, recomeçamos, e nos redimimos.

Luís Lavoura disse...

nunca devemos subestimar a capacidade de uma sociedade gerar, no seu seio, os piores monstros

A sociedade sueca também é, creio, muito pacífica. No entanto, se se ler os policiais de Camilla Lackberg, encontra-se neles crimes verdadeiramente monstruosos, de revolver as entranhas.

José disse...

Na Wikipedia em português...

- Breivik é um "terrorista cristão"
- Timothy McVeigh é um "terrorista doméstico"

... mas ...

- As Brigadas Vermelhas são "organização paramilitar de guerrilha"
- As FP-25 estiveram até recentemente como "grupo de luta armada"
- Os Baader-Meinhof são uma "organização guerrilheira"
- A ETA é uma "organização nacionalista armada"
- Os GAL foram "agrupações armadas"
- Os GRAPO são um "braço armado"
- As FARC são uma "organização paramilitar"
- O IRA é um "conjunto de grupos armados"
- A Al Qaeda é uma "organização fundamentalista islâmica"
- O Daesh é uma "organização jihadista islamita"
- O Hamas é um "movimento islamista palestino"

A lista continua e a situação não é muito diferente nas versões em inglês.


Ontem, a RTP3 apresentou um debate - a propósito do aniversário do massacre na Noruega -, cujo objetivo era criar a ideia de que há terrorismo e, depois, há... terrorismo de extrema direita, sendo este o mais preocupante.

A certa altura, talvez para "desenjoar", foi apresentada uma longa lista de "outros atentados", todos eles perpetrados em nome do Islão. Curtíssima intervenção do Paulo Dentinho para falar dos "banlieu" e todos de volta ao perigo da extrema direita.

A lista de atentados islamistas poderia ter sido muito maior, nomeadamente se tivesse sido dada atenção aos "lobos solitários" islamitas (que se entretêm com facadas, atropelamentos, etc.), mas, como se imagina, lobos que mordem só os de extrema direita...


E esta lavagem é paga com os nossos impostos...

aguerreiro disse...

É bestialmente democrático propagandear atentados contra pessoas 10, 15 ou 50 anos depois que mataram imensidades. Mais valia terem-no dependurado numa soga (ao dito terrorista), para escarmento de futuros candidatos, além da poupança de verbas publicas que indirectamente gerava

Jaime Santos disse...

O que é que o José está a querer implicar com as suas palavras? Que a ameaça da Extrema-Direita deve ser ignorada? Que se lhe deve dar menos relevo?

Claro que os lobos solitários como Breivik, no seu cômputo, causaram menos vítimas do que o IRA ou o terrorismo islâmico. Mas olhe que 77 mortos são muitas vítimas, uma já seria de mais.

A Extrema-Direita em Portugal tem um longo catálogo de vítimas, no tempo da ditadura e depois, basta lembrar o assassínio do Padre Max e da sua aluna. Estas pessoas merecem ser lembradas, tanto como as vítimas do terrorismo islâmico, do IRA ou das FP-25, já agora.

E depois cabe lembrar que a questão que se coloca aqui é a da atualidade da ameaça terrorista. E se ela existe no Ocidente provém hoje em dia da Extrema-Direita e do terrorismo islâmico. Todos os outros grupos que mencionou ou foram vencidos ou depuseram as armas.

É que me está a querer parecer que está a querer alinhar em whataboutism... Quer falar dos outros terrorismos? Muito bem, mas se dá licença, agora falamos do de Extrema-Direita e se isso o incomoda (vá lá saber-se porquê, eu pensava que todo o terrorismo deveria ser condenado por todos os democratas, independentemente de procurarmos as razões que lhe dão origem), pois paciência...

José disse...

O Jaime Santos parece ser daquelas pessoas com uma profunda necessidade de fazer-se difícil.

Como não estou para perder muito tempo com coisas que deviam ser evidentes, deixo aqui o seguinte cenário:

O Jaime Santos passa duas horas num aeroporto, esperando um avião que o leve a Bruxelas. Entra no avião e leva mais duas horas até aterrar na Bélgica, onde passa mais meia hora no aeroporto. De seguida, mete-se no comboio para Bruxelas, e sai na estação central, onde aproveita para comer qualquer coisa, antes de fazer uam caminhada em Bruxelas até chegar ao seu hotel, onde descansa um pouco até chegar a hora de ir ver um concerto numa conhecida sala local. Terminado o concerto, resolve ir beber umas jolas na Grande Place.

Durante todo este tempo, as suas perninhas tremeram de medo a pensar num ataque da extrema direita?

Homem, é que se você não percebe isto, o caso é grave, chiça!!!

Jaime Santos disse...

Só sou difícil com quem anda para aqui a desconversar e a alinhar em whataboutisms...

É que eu percebo-o muito bem, sabe?

Quando viajo de avião as minhas perninhas não tremem de medo por causa de ataques fascistas ou islamistas :) , muito embora os segundos sejam mais prováveis que os primeiros.

Ele há riscos maiores, como sofrer um acidente porque não se leva o cinto apertado e o avião passa por turbulência de ar limpo...

E quanto a concertos, eu gosto pouco de multidões, e prefiro salas pequenas como a Kammermusiksaal da Berliner Philarmonie... Os seus exemplos são pois mal escolhidos...

Eu sei, é desconversar, mas chama-se sarcasmo, já ouviu falar?

Essa coisa de viver cheio de medo do terrorismo é muito pouco saudável... Mas se o meu caro escolhe viver assim, olhe, não saia de casa...

O seu raciocínio é no fundo o mesmo do Freitas, os islamistas são piores do que os fachos, por isso, calem-se todos...

E depois? Quer isso dizer que não nos devemos lembrar das 77 pessoas que foram mortas por Breivik?

Foi esse o aniversário que o Embaixador evocou e você veio logo fazer as queixinhas do costume, tal qual os comunistas que tanto detesta quando se critica os irmãos Castro. A ideologia é distinta, a 'knee-jerk reaction' é exactamente a mesma...

Eu sei que fica difícil de engolir que a Direita quando quer não é nada democrática e está cheia de grunhos tão maus como os correspondentes na Esquerda ou no islamismo...

Mas isso é verdade, por isso que quer que lhe faça?

Não o mando morrer longe porque pode pensar que estou a falar a sério e sei que consegue ser francamente mal-educado. Ao menos o Freitas é polido...

Luís Lavoura disse...

em que é que a ideia de que se deve deixar correr a infecção covid-19 livremente [...] é assim tão diferente das ideias eugénicas subscritas pelo dito assassino e comparsas?

É a diferença entre uma eugenia natural, demonstravelmente verdadeira, e uma eugenia artificial, que é uma construção humana.

Explico-me. Quem morre de covid-19 é porque tem um sistema imunitário (mais) débil. Demonstravelmente é, pois, um ser mais fraco. (Pode até ser um atleta de alta competição, etc, mas é fraco porque tem um sistema imunitário fraco.) Se essa pessoa é eliminada pela doença, em princípio a espécie humana fica, em média, mais forte. Pelo contrário, quem morre porque o sr. Breivik acha que é de uma raça (ou religião, ou seja o que fôr) inferior, morre por uma ideia indemonstrável e fantasiosa que o sr. Breivik cozinhou na cabeça dele, tal como qualquer outra pessoa pode cozinhar qualquer outra ideia na sua cabeça.

Quando um predador (digamos, uma leoa) ataca uma manada de presas (digamos, de gnus), captura quase sempre as presas mais fracas (doentes, velhas, etc). O predador atua, de facto, melhorando a manada de presas, eliminando dela os elementos mais débeis. Uma epidemia atua da mesma forma, eliminando as vítimas com um sistema imunitário mais débil e, dessa forma, efetivamente fazendo melhorar a espécie.

Luís Lavoura disse...

José

passei umas horas no aeroporto de Bruxelas há dois anos. Por todo o lado viam-se pares de soldados de metralhadora aperrada, prontos a disparar. Durante todo o tempo que estive no aeroporto estive com as perninhas a tremer a pensar num possível ataque daqueles soldados.

Nunca pensei que a Bélgica tivesse descido tão baixo. Parecia um Estado militar. Um horror.

Jaime Santos disse...

Luís Lavoura, qual é a diferença? A eugenia dos mais fracos, supostamente natural que defende também era defendida pelos nazis, sabe?

Aliás não apenas por eles, note-se, ela só se tornou pouco recomendável depois da II Guerra Mundial. Foi inclusivamente defendida por pessoas de Esquerda (a Suécia praticou a esterilização de pessoas com condições tão triviais como a miopia até aos anos 70) e havia no Bloomsbury Group quem a defendesse. Há um artigo muito antigo do Guardian que pode ler sobre isso...

https://www.theguardian.com/politics/from-the-archive-blog/2019/may/01/eugenics-founding-fathers-british-socialism-archive-1997

Você está cá a sair-se um Socialista e nem sabia...

A espécie humana não precisa de ser melhorada por nenhuma seleção artificial (que é o que a eugenia é) porque nesse momento nós estaríamos a tornar-nos apenas num grupo de assassinos... Não muito recomendável em termos de perspetivas futuras de sobrevivência do grupo...

A ética e a humanidade têm com certeza uma base biológica... Teoria da Evolução, já ouviu falar?

Como naquele cartoon da Mafalda em que o Manelinho pergunta: 'Se as pessoas boas matassem as más, só ficavam as boas, não?', 'Não, só ficavam os assassinos...'

José disse...

Há muita gente que fala do que não sabe. A manipulação da comunicação social é obvia.


LINK
https://www.europol.europa.eu/activities-services/main-reports/european-union-terrorism-situation-and-trend-report-2021-tesat

Pág. 12:
In the EU, 21 people died as a result of terrorist attacks and at least 54 people were injured. The deaths were the result of one right-wing terrorist attack (9) and six jihadist terrorist attacks (12)

Pág. 13:
In 2020, three EU Member States (Austria, France and Germany) suffered 10 jihadist attacks. The completed attacks in the EU killed 12 people and injured more than 47. Four jihadist plots were successfully foiled in Belgium, France and Germany. EU Member States assessed that jihadist terrorism remained the greatest terrorist threat in the EU.


Pág. 13:
The most frequent type of jihadism-inspired attacks in the EU, Switzerland and the UK was assaults in public places targeting civilians.

Pág. 14:
All completed jihadist attacks were committed by individuals acting alone

Pág. 16:
In 2020, 254 individuals were arrested on suspicion of committing jihadism related offences. Among those for whom offences were reported, 4 membership of a terrorist group was the most frequent offence leading to arrest, followed by propaganda dissemination and planning/preparing terrorist acts, and facilitating and financing terrorism.

Pág: 21:
The number of arrests related to left-wing and anarchist terrorism in 2020 (52) decreased by more than half compared to 2019, largely due to a drop in arrests in Italy (24 in 2020, compared to 98 in 2019). However, it remained significantly higher than in 2018 (34). Suspects were arrested in Italy (24), Greece (14), France (11), Portugal (1) and Spain (2).
(...)
Left-wing and anarchist extremism continued to pose a threat to public order in a number of EU Member States. The left-wing and anarchist extremist scene is connected internationally, mainly on an individual level.

Pág. 78:
Right-wing terrorist attacks in 2020 were reported by Belgium (1 failed), France (1 foiled) and Germany (one completed and one foiled). The completed terrorist attack in Hanau (Germany) killed nine people.

Pág. 92:
Left-wing and anarchist extremism continued to pose a threat to public order in a number of EU Member States

Ou seja, aquilo que se extrai do relatório da Europol não é que o terrorismo de extrema direita é a maior preocupação da Europa ou de que é mais grave ou mais frequente do que o terrorismo islâmico. Isso é a interpretação enviesada que a comunicação social dá aos dados, manipulando os números e os textos por forma a integrar o relatório na luta contra os partidos de extrema direita que estão a conquistar votos por essa Europa fora.

Objetivamente, o que a comunicação social tem andado a dizer é mentira. As conclusões são falsas.

Jaime Santos disse...

José, o Embaixador não veio dizer que o Terrorismo Islâmico ou de Extrema-Esquerda é uma ameaça menor do que o de Extrema-Direita.

Veio simplesmente evocar o aniversário do massacre na Noruega em que 77 pessoas, repito 77, perderam a vida pela a ação de um terrorista solitário de Extrema-Direita e falar da sua experiência relativamente à cultura política daquele País...

Ele falou de alhos e você respondeu bugalhos...

E consequentemente, perdeu uma excelente ocasião para ficar calado...

Joaquim de Freitas disse...

Estive um pouco ausente deste blogue. Hoje mergulhei num texto que me ensinou muitas coisas.
O texto do Senhor Embaixador é claro:”. Foi há dez anos. Um militante de extrema-direita colocou uma bomba que matou oito pessoas em Oslo e daí partiu para uma ilha próxima, onde jovens do Partido Trabalhista realizavam um encontro. Liquidou então a tiro, um a um, 69 dentre eles. «

Três características do terrorista saltam aos olhos: é branco, norueguês, portanto europeu, e talvez cristão.

É também antissocialista, e anti islamista, num país “acolhedor para refugiados políticos de várias origens” como muito bem escreve o senhor Embaixador que o conhece.

Trata-se, portanto, de terrorismo. A discussão, entretanto, deslizou para o eugenismo, o Covid 19, e outras patologias… como o antissocialismo e o anticomunismo visceral e as diferentes correntes de terrorismo disponíveis no mercado, desde as Brigadas Vermelhas ao Hamas, omitindo, quando se escreve Hamas, Stern, Irgoun e Hagannah…produtos concorrentes!

Mas o que é o Terrorismo? Ninguém explicou e é isso que faltou nestes comentários…

O terrorismo é muitas vezes, mas nem sempre, definido em termos de quatro características:

A ameaça ou o uso da violência;
Um objetivo político; o desejo de mudar o status quo;
A intenção de semear o medo cometendo actos públicos espetaculares;
Alvo intencional de civis.

Mas há dois tipos de terrorismo. E o mais importante foi esquecido pelos ilustres comentaristas.

O terrorismo do Estado" é um conceito tão controverso como o do próprio terrorismo.

Por exemplo, a quarta característica citada acima: É este último elemento - alvo de civis inocentes - que se destaca nos esforços para distinguir o terrorismo do Estado de outras formas de violência do Estado. Como não pensar nos drones !

O “terrorismo” pode conjugar-se com “democracia”.

Certos governos, , podem praticamente paralisar uma sociedade ou uma nação através da violência e da ameaça.

Os dois casos mais bem argumentados a este respeito são os Estados Unidos e Israel. Ambas são democracias eleitas com importantes salvaguardas contra violações dos direitos civis dos seus cidadãos. No entanto, Israel tem sido caracterizado durante muitos anos pelas críticas como perpetrando uma forma de terrorismo contra a população dos territórios que ocupa desde 1967.

Os EUA também são regularmente acusados de terrorismo por salvaguardarem não só a ocupação israelita, mas também pelo seu apoio a regimes repressivos prontos a aterrorizar os seus próprios cidadãos para manterem o poder. Querem nomes?

Os regimes democráticos podem fomentar o terrorismo estatal de populações fora das suas fronteiras ou vistos como estrangeiros. Não aterrorizam o seu próprio povo; de certa forma, não podem porque um regime que se baseia na repressão violenta da maioria dos cidadãos (e não apenas alguns) para deixar de ser democrático.

Bom, quando se fala de terrorismo, não se deve esquecer o principal: o de Estado. Mata muito mais que o outro, que seja de esquerda, ou de direita, ou religioso…

José disse...

Jaime Santos, eu NUNCA disse que o Franciso Seixas da Costa disse que o terrorismo islâmico é uma ameaça menor do que o de extrema direita. NUNCA. Eu referi o tratamento dado pela Wikipedia (por força dos radicais de esquerda que a poluem), e pela comunicação social.

Para além de ser um tipo grosseiro, você tem problemas de compreensão! Comece com os livros da Anita. para treinar a literacia, talvez sejam suficientes.

E vá morrer longe, de preferência onde não haja vento...