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sexta-feira, julho 09, 2021

Liberdade

Um amigo, pelo telefone, dizia-me, há pouco: "Neste tempo em que vejo muito mais gente de direita, como sabes que eu sou, do que de esquerda, a clamar pela liberdade e a ter uma atitude rebelde face às orientações das autoridades perante a pandemia, sinto-me mais próximo de vocês, dos de esquerda, que parece viverem relativamente bem com estas restrições".

Não comentei, mas dei comigo a pensar: na contestação que se observa às medidas restritivas em que vivemos, alguma coisa (repito, apenas alguma coisa) se deverá com certeza ao facto de muitas pessoas detestarem o governo que o país atualmente tem. Sentirem que estão a "obedecer" a um executivo de que não gostam deve exacerbar nelas alguns genes libertários. Outras, na minha opinião, agem apenas por egoísmo e por falta de espírito cívico. Mas admito que isto seja "sociologia" de pacotilha. Não quero fazer doutrina.

E dei comigo a pensar: como é que eu estaria hoje, em termos de atitude, se, em S. Bento, estivesse, por exemplo, uma qualquer versão do "passismo", a fazer basicamente o que este governo faz? Estaria aos berros, a invocar as liberdades de Abril, denunciando o ambiente de "asfixia" dos nossos direitos fundamentais?

E concluí que não. O "respeito" que tenho pela vida (será medo?) sobrepor-se-ia a toda a pulsão contra essas autoridades, por muito que delas não gostasse e que algumas das suas medidas me irritassem. E, enfim, acho que estaria exatamente onde aquele meu amigo - sendo ele bem "de direitas" - hoje está.

"Les beaux esprits se rencontrent", dizia Voltaire. Os receios também.

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